Contagem de votos continua no Peru, com pequena vantagem para Keiko Fujimori

Pesquisas de boca de urna apontaram empate técnico entre candidatos de direita e esquerda
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Apuração segue acirrada e votos do interior podem definir eleição presidencial no Peru. Até o momento, a maior parte dos votos contabilizados vem de Lima e de outros centros urbanos, regiões que historicamente concentram apoio à candidata Keiko Fujimori, que disputa a Presidência da República pela quarta vez.

Já o candidato Roberto Sánchez vem obtendo desempenho mais expressivo nas áreas rurais do país, tradicionalmente as últimas a terem seus votos apurados. O mesmo cenário foi observado no primeiro turno, quando ele surpreendeu ao superar o então favorito das pesquisas, o ex-prefeito de Lima Rafael López Aliaga, identificado com a extrema direita.

Pesquisas de boca de urna indicam empate técnico

Os levantamentos divulgados após o encerramento da votação apontaram uma disputa extremamente equilibrada, com leve vantagem para Fujimori.

Segundo o instituto Ipsos, a candidata recebeu 50,7% dos votos válidos, enquanto Sánchez alcançou 49,3%.

Já a pesquisa da Datum apresentou números ainda mais apertados: 50,53% para Fujimori e 49,47% para Sánchez.

Diante desse cenário, a definição do próximo presidente poderá ocorrer por uma diferença de apenas alguns milhares de votos.

Histórico de disputas decididas por margem mínima

O Peru já viveu eleições recentes marcadas por resultados extremamente apertados. Em 2021, o professor Pedro Castillo derrotou Keiko Fujimori no segundo turno ao conquistar 50,125% dos votos válidos, contra 49,875% da adversária.

De acordo com a imprensa peruana, a diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 40 mil votos. Situação semelhante ocorreu em 2016, quando Fujimori acabou derrotada por Pedro Pablo Kuczynski.

Cerca de 27,3 milhões de peruanos foram convocados para comparecer às urnas no segundo turno realizado em 7 de junho.

Para atender ao eleitorado, foram instaladas 90.223 seções eleitorais em todo o país.

O vencedor governará o Peru entre 2026 e 2031 e assumirá o comando de uma nação que enfrenta uma prolongada crise política. Nos últimos dez anos, o país teve oito presidentes, em meio a sucessivos processos de impeachment e frequentes confrontos entre Executivo e Congresso.

Resultados podem ser acompanhados em tempo real
A apuração oficial pode ser acompanhada pelo portal da Segunda Eleição Presidencial, mantido pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE):

Autoridade eleitoral rejeita acusações de fraude

A ONPE descartou as denúncias de fraude apresentadas durante o processo eleitoral, mas informou que investigará todos os incidentes relatados pelos partidos políticos.

O caso mais grave ocorreu em uma seção eleitoral de Lima, onde dois supostos fiscais foram detidos após serem acusados de marcar 90 cédulas em favor do partido de Keiko Fujimori.

Apesar do clima de polarização, observadores internacionais que acompanharam o processo eleitoral afirmaram que a votação ocorreu sem incidentes graves.

As missões, no entanto, pediram cautela e reforçaram a importância de aguardar a divulgação dos resultados oficiais antes de qualquer conclusão.

Presidente interino pede respeito ao resultado das urnas
O presidente interino José María Balcázar fez um apelo para que o candidato derrotado reconheça o resultado e contribua para a estabilidade política do país.

“O perdedor deve ser honrado e reconhecer o vencedor, porque o Peru precisa de projetos, e mais projetos, não de brigas internas”, afirmou Balcázar.

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