A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quinta-feira (18) pela Polícia Federal (PF), busca aprofundar a investigação sobre indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) recebeu pagamentos do Master durante anos pela empresa da enteada, viajou com frequência nos jatos de Daniel Vorcaro e ainda recebeu um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões de reais, de presente. A informação é da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Entre esses indícios estão mensagens trocadas por Wagner e o sócio de Vorcaro, Augusto Lima, além de documentos que mostram os pagamentos feitos à nora do senador.
A BN Financeira, empresa de Bonnie Bonilha, nora de Jaques Wagner, recebeu, entre 2022 e 2025, R$ 12 milhões do Master de acordo com a quebra de sigilo fiscal do banco enviada à CPI de Crime Organizado.
De acordo com as investigações, muitos desses pagamentos eram feitos por meio de intermediários que também são alvo da ação de hoje.
Segundo a PF, o senador pelo PT da Bahia também teria feito lobby no Senado pela aprovação da “emenda Master”, que foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PI-PP) e propunha aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito para investimentos em CDBs.
A operação também mira o ex-sócio de Daniel Vorcaro, Augusto Lima, que segundo as apurações era quem manejava boa parte das relações com políticos, em especial com o Congresso Nacional.
A operação desta quinta mira a relação de proximidade entre Jaques Wagner e o banqueiro Augusto Lima. “A autoridade policial aponta que a relação entre Jaques e Augusto Ferreira Lima seria antiga, próxima e marcada por elevado grau de confiança pessoal, circunstância que, em tese, teria criado ambiente propício à realização de tratativas reservadas em prol da defesa de interesses privados do Banco Master”, diz um trecho da decisão.

Operação da PF
Por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão. As ações ocorreram simultaneamente nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.
Além das buscas, a decisão judicial determinou medidas cautelares aos investigados. Entre as restrições estão o recolhimento de passaportes e impedimento de comunicação entre os envolvidos.
Essas medidas têm caráter preventivo e foram adotadas para preservar o andamento das investigações, reduzindo riscos de interferência nas apurações ou eventual saída do país antes da conclusão do processo.
Segundo o jornalista Tulio Amancio, da GloboNews, a investigação mira fraudes em carteiras de crédito questionadas do Banco Master e tem ligação com a rede de supermercados estatal “Cesta do Povo”, da Bahia, que foi negociada com Augusto Lima, segundo os investigadores, sob influência política de Jaques Wagner.
O senador Jaques Wagner ainda não se manifestou sobre a operação.
A defesa de Augusto Lima afirma que ele “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública”.
Compliance Zero
A Operação Compliance Zero é uma investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e seu presidente, Daniel Vorcaro. A primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025.
A PF também investiga aportes bilionários feitos pelo Banco de Brasília (BRB) no Master e supostos repasses a agentes políticos.