A candidata de direita Keiko Fujimori abriu uma vantagem considerada irreversível na apuração do segundo turno das eleições presidenciais do Peru e caminha para retornar ao poder. Com 99,85% das urnas apuradas, ela soma 50,12% dos votos válidos, contra 49,88% do adversário de esquerda, Roberto Sánchez.
Segundo os dados divulgados na madrugada desta quarta-feira (24), Fujimori contabiliza mais de 9,2 milhões de votos, mantendo uma diferença superior a 43 mil votos sobre Sánchez. Restam cerca de 40 mil votos a serem computados, número insuficiente para alterar o resultado final.
Apesar da desvantagem matemática, Sánchez afirmou que não reconhece o resultado da eleição. Em entrevista coletiva, o candidato acusou as autoridades eleitorais de permitirem uma suposta fraude durante a contagem dos votos e convocou seus apoiadores para novos protestos.
O candidato de esquerda questiona principalmente os votos dos peruanos residentes no exterior, que favoreceram amplamente Fujimori. Enquanto a candidata lidera entre os eleitores que vivem fora do país, Sánchez mantém pequena vantagem nos votos registrados dentro do Peru.
Na tentativa de reverter o cenário, o político apresentou um recurso para anular os votos do exterior, alegando irregularidades administrativas na condução do processo eleitoral. Segundo ele, sem esses votos, teria uma vantagem de cerca de 25 mil votos sobre a adversária.
Especialistas em direito eleitoral ouvidos pela imprensa peruana avaliam, porém, que o pedido tem poucas chances de prosperar, por não apresentar fundamentos jurídicos consistentes.
A apuração oficial segue sob responsabilidade da autoridade eleitoral peruana, que analisa recursos e cédulas contestadas desde a realização do segundo turno, em 7 de junho.
No Congresso, os dois grupos políticos terão forte representação. O partido Fuerza Popular, de Keiko Fujimori, conquistou a maior bancada nas duas casas legislativas, enquanto o Juntos por el Perú, de Roberto Sánchez, ficou com a segunda maior representação parlamentar.