Haddad ao ICL: Tarcísio quebrou segurança pública e São Paulo perde tração no Brasil

Em entrevista a Chico Pinheiro, pré-candidato ao governo de SP detalha plano de segurança e ataca gestão Tarcísio
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Ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad afirmou, em entrevista ao programa Chico Pinheiro Entrevista, do ICL Notícias, que vai se apresentar como o governador da segurança pública, caso seja eleito, e detalhou um plano dividido em três camadas para enfrentar o crime organizado no estado. Segundo ele, a gestão de Tarcísio de Freitas fracassou nessa área e escondeu os problemas por falta de fiscalização da imprensa.

Haddad usou a entrevista para fazer um balanço crítico da atual administração estadual. Citou a privatização da Sabesp, a implantação do free flow nos pedágios, o desmonte do programa Muralha Paulista e o esvaziamento da escola pública como exemplos de decisões que, na avaliação dele, nunca foram devidamente escrutinadas pela grande imprensa. Ele mencionou também que o ministro dos Transportes do governo Lula, Renan Filho, entregou três vezes mais obras do que Tarcísio quando este ocupou a mesma pasta.

O plano de segurança em três camadas

O ex-ministro descreveu a primeira camada como o combate ao andar de cima do crime organizado, que envolve corrupção e lavagem de dinheiro. Ele citou a Operação Carbono Oculto, feita pela Receita Federal em parceria com o Ministério Público estadual, que bloqueou bilhões de reais ligados a fundos como o REAG, ao Banco Master e à Refit. Para dar continuidade a esse tipo de ação, Haddad propõe um gabinete permanente presidido pelo próprio governador, reunindo Polícia Civil, Polícia Militar, Receita Federal, Coaf, Polícia Federal e Ministérios Públicos estadual e federal.

A segunda camada trata da recuperação do espaço público, com uso de tecnologia, iluminação e inteligência para dar flagrante em crimes como furto de celular e roubo de carro. Haddad lembrou que, como prefeito de São Paulo, implantou a troca de lâmpadas por LED em toda a periferia e fez convênio com o então governador Geraldo Alckmin para usar radares municipais na localização de veículos roubados. Ele criticou o fato de o governo estadual não ter avançado em soluções semelhantes às adotadas por outros estados, como o Piauí, que lançou uma plataforma para identificar celulares roubados no momento da compra, iniciativa depois nacionalizada pelo governo federal.

A terceira camada, segundo ele, é a menos discutida publicamente, mas atinge diretamente famílias: os crimes cometidos no espaço privado, como feminicídio, estupro de menor, abuso de idoso e maus-tratos a pessoas com deficiência. Haddad afirmou que esses crimes batem recordes em São Paulo e que o aplicativo lançado pelo governo Tarcísio para combatê-los é ineficaz.

Críticas à gestão da Polícia Militar e ao secretário Derrite

Haddad classificou como um erro grave a forma como o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, teria promovido aliados sem mérito na cúpula da Polícia Militar, afastando comandantes experientes. Segundo o ex-ministro, esse tipo de conduta prejudica a corporação e pode levar anos para ser revertido. Ele defendeu que a PM paulista é composta majoritariamente por profissionais sérios, mas que respondem à cadeia de comando, e que uma liderança desequilibrada no topo produz efeitos negativos até na saúde mental dos próprios policiais, com aumento de casos de suicídio.

O pré-candidato também atacou a lei antifacção aprovada com relatoria de Derrite no Congresso, dizendo que o texto retirou os crimes de colarinho branco do escopo da legislação. Para Haddad, essa mudança beneficia justamente quem financia o crime organizado à distância, muitas vezes morando fora do país, enquanto a repressão recai sobre a ponta mais visível e vulnerável das organizações criminosas.

Cooperação federativa sabotada

Haddad disse que o governo Tarcísio rejeitou a proposta do presidente Lula de incluir um capítulo sobre segurança pública na Constituição Federal, que hoje trata do tema em um único artigo, o 144. Segundo ele, a PEC da segurança e a própria lei antifacção foram desfiguradas no Congresso justamente para reduzir os mecanismos de cooperação entre estados e União. Para o ex-ministro, sem esse tipo de integração permanente, nenhuma ação contra o crime organizado terá efeito duradouro.

Da São Francisco ao Ministério da Educação

Antes de entrar no debate sobre segurança, Haddad relembrou a formação que o levou à vida pública. Filho de imigrante libanês analfabeto e de uma mãe formada em escola normal, contou que decidiu cursar Direito na Faculdade de Direito do Largo São Francisco para ajudar o pai, vítima de um contrato mal assinado, e que só ali, no fim da ditadura militar, se aproximou da militância política. Presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto em 1985, ele descreveu como conheceu figuras como Marilena Chauí e Paulo Singer antes de se tornar professor da USP e, depois, ministro da Educação nos governos Lula e Dilma.

Ele citou como exemplo dos resultados dessa trajetória o programa Pé-de-Meia, montado em parceria entre os ministérios da Fazenda e da Educação durante sua gestão na Fazenda, que reduziu em 40% a evasão escolar no primeiro ano do ensino médio, superando em sete pontos a projeção inicial de estudo acadêmico feito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Justiça tributária e o discurso do “Estado mínimo”

Haddad voltou a defender a tributação sobre dividendos acima de um milhão de reais anuais, sobre fundos offshore e sobre bets, medidas aprovadas no Congresso durante sua gestão na Fazenda para custear a isenção do Imposto de Renda até cinco mil reais e recompor o piso da educação e da saúde, congelado pelo teto de gastos do governo Michel Temer. Segundo ele, esses recursos permitiram aumentar em 43% os gastos com educação e em 60% os gastos com saúde, acima da inflação, em quatro anos.

Ele criticou o que chamou de contradição da direita, que defende Estado mínimo quando se trata de tributar os mais ricos, mas aplaude subsídios como o Plano Safra e renúncias fiscais para empresários. “Por que eles não falam de Estado mínimo quando fazem renúncia fiscal para empresário?”, questionou.

Assista à entrevista completa:

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