Vorcaro e ex-presidente do BRB vivem impasse após fracasso de delações

PGR resiste a eventual nova proposta de Vorcaro, enquanto defesa de PHC avalia quais medidas adotará após rejeição de sua colaboração
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Por Cleber Lourenço

As tentativas de colaboração premiada de Daniel Vorcaro e do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa atravessam vários impasses. Enquanto a Procuradoria-Geral da República demonstra crescente resistência a eventual nova proposta do controlador do Banco Master, a defesa de Paulo Henrique afirma que ainda avalia quais medidas adotará após a rejeição de sua proposta de delação.

Nos bastidores, aliados de Vorcaro voltaram a alimentar a possibilidade de uma terceira tentativa de acordo de colaboração. Até o momento, porém, não há confirmação de que uma nova proposta tenha sido formalmente apresentada à Polícia Federal ou à Procuradoria-Geral da República.

Questionado pelo ICL Notícias nesta quarta-feira (2), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, reiterou a posição institucional adotada pela corporação após a rejeição da segunda proposta apresentada por Vorcaro, ainda no final de maio.

“Enviamos o ofício dizendo que negamos o seguimento à delação, mas que se vier outra proposta iremos analisar. A lei não prevê prazo, é um direito do investigado propor, e dever da polícia analisar.”

A manifestação do diretor-geral da PF reforça que a corporação não recebeu uma nova proposta de colaboração e mantém o entendimento de que eventuais iniciativas futuras deverão ser analisadas, já que a legislação não estabelece limite de tentativas para acordos de colaboração premiada.

Resistência da PGR

Fontes com conhecimento das negociações afirmam que a Procuradoria-Geral da República passou a demonstrar forte resistência a uma eventual nova proposta de Vorcaro.

Um dos fatores apontados por essas fontes é o desconforto provocado pela divulgação de informações sobre supostos valores bilionários que seriam devolvidos pelo ex-banqueiro em eventual acordo e a suspeita de que essas especulações teriam surgido do entorno do investigado.

Ao longo das negociações, circularam na imprensa informações de que a primeira proposta envolveria a devolução de cerca de R$ 20 bilhões e que uma segunda negociação teria avançado para valores próximos de R$ 60 bilhões.

Segundo relatos obtidos pelo ICL Notícias, contudo, esses valores jamais foram formalmente apresentados nas propostas encaminhadas às autoridades e tampouco teriam sido objeto das tratativas com a Procuradoria.

A reportagem apurou que as negociações nunca chegaram a tratar de valores objetivos de reparação financeira, o que provocou irritação em integrantes da PGR.

A avaliação de investigadores e integrantes da Procuradoria é que, a cada nova rodada de negociação, surgiam sucessivos vazamentos e versões favoráveis ao investigado, muitas vezes sem correspondência com o conteúdo efetivamente apresentado às autoridades.

Outro ponto que contribui para a resistência da PGR é a percepção de que não houve, até o momento, um compromisso concreto de devolução de recursos, elemento considerado relevante em acordos envolvendo crimes financeiros de grande dimensão.

Caso Paulo Henrique Costa

A situação do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa também permanece indefinida.

Preso preventivamente no âmbito das investigações relacionadas ao caso Master, Paulo Henrique teve sua proposta de colaboração rejeitada pela Procuradoria-Geral da República.

A defesa do ex-dirigente do BRB já havia criticado publicamente a rejeição da proposta. Em petição apresentada ao Supremo Tribunal Federal, os advogados afirmaram que Paulo Henrique procurou espontaneamente as autoridades, buscou a PGR em abril e participou de uma reunião formal em maio para discutir uma eventual colaboração.

Segundo a defesa, o ex-presidente do BRB jamais foi ouvido pelas autoridades.

“Desde a primeira decisão cautelar, em novembro de 2025, portanto há sete meses, o requerente, a despeito de diversos pedidos formulados, nunca foi interrogado pelas autoridades”, afirma a petição.
Os advogados sustentam que a proposta foi rejeitada sem que Paulo Henrique prestasse depoimento ou participasse de uma oitiva, procedimento que ocorreu nas negociações envolvendo Daniel Vorcaro.

Em outro trecho, a defesa estabelece uma comparação direta entre os dois casos.

“Mesmo diante do candidato a colaborador Daniel Vorcaro, que já teve duas propostas rejeitadas.”
Agora, procurada pelo ICL Notícias, a defesa afirmou que a defesa ainda não definiu quais medidas serão adotadas.

“Ainda não temos os próximos passos definidos. Estamos avaliando.”
A manifestação indica que a defesa não descartou novas iniciativas, embora ainda não exista uma estratégia definida após a rejeição da proposta.

Terceira proposta permanece incerta

Apesar das especulações sobre uma eventual terceira tentativa de colaboração de Daniel Vorcaro, até o momento não há confirmação de que uma nova proposta tenha sido apresentada formalmente às autoridades.

Nos bastidores, o cenário é de cautela. Qualquer nova tentativa de acordo dependerá de mudanças substanciais na postura do investigado, especialmente no que diz respeito à apresentação de elementos concretos, verificáveis e eventualmente acompanhados de compromissos patrimoniais.

Sem isso, a tendência é que o impasse se prolongue, mantendo em compasso de espera tanto as negociações envolvendo Daniel Vorcaro quanto as discussões sobre uma eventual colaboração de Paulo Henrique Costa.

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