Ex-prefeito e pré-candidato ao Senado é preso por porte ilegal de fuzil no RJ

Pré-candidato ao Senado, Canella é investigado como braço político de grupo suspeito de utilizar postos para lavagem de dinheiro
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Por Lívia Mendonça – Tempo Real RJ

Ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo após a Polícia Federal encontrar um fuzil em seu carro durante as buscas feitas na 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta terça-feira (07). Ele é investigado como braço político do grupo suspeito de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana para lavagem de dinheiro.

No período da manhã, quando os agentes cumpriam 19 mandados de busca e apreensão, Canella foi conduzido à Superintendência da PF, no Centro do Rio, para prestar esclarecimentos.

Segundo a PF, o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, de acordo com um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhado aos investigadores.

Entre os alvos da nova fase da operação também estão o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil; o ex-PM Juracy Alves Prudêncio, o Jura, citado pela CPI das Milícias e condenado a 26 anos de prisão por homicídio e associação criminosa e o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, que integrou a equipe do ex-secretário em diversas delegacias.

O deputado Márcio Canella (União) coloca a Medalha Tiradentes no delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro - Reproduçao/ TV Alerj
O deputado Márcio Canella (União) coloca a Medalha Tiradentes no delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro. (Foto: Reproduçao/ TV Alerj)

Operação Unha e Carne

A ação desta terça é uma nova fase da operação Unha e Carne, que já investigou suspeitas de vazamento de informações sigilosas que teriam beneficiado o Comando Vermelho.

Na última quinta-feira (2), a PF cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em cidades do Rio de Janeiro em uma operação que teve como principais alvos o ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) Rodrigo Bacellar, o contraventor Adilsinho e o pastor Márcio Poncio.

Bacellar e Adilsinho já estavam presos, mas foram alvos de novos mandados, e Poncio foi preso. Os mandados foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Um dos alvos de busca e apreensão foi Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

A quinta fase da operação teve origem na análise de planilhas apreendidas em poder de Adilsinho. As anotações também indicariam possíveis repasses diretos de dinheiro a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro, hipótese que passou a ser uma das principais linhas de investigação.

Deflagrada em dezembro de 2025, a Operação Unha e Carne investigava inicialmente o vazamento de informações sigilosas sobre ações contra o Comando Vermelho. Ao longo das fases seguintes, as apurações alcançaram o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto e, posteriormente, passaram a investigar possíveis conexões entre organizações criminosas, agentes públicos e fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação.

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