Concorrência chinesa: preço médio de carro zero cai pela primeira vez em seis anos

Maior concorrência entre montadoras reduziu reajustes e ampliou descontos
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O preço médio dos carros novos no Brasil teve, em 2026, a primeira queda real em seis anos, segundo estudo da Bright Consulting. O valor médio sugerido pelas montadoras subiu 1,4%, para R$ 166,9 mil, abaixo da inflação acumulada de 3,18% no período, o que representa uma redução real de 1,5%.

A alta nominal dos preços também desacelerou em relação ao ano anterior, quando o reajuste chegou a 5,5%. Para analistas, a expansão das montadoras chinesas no mercado brasileiro é um dos principais fatores para a mudança. A maior concorrência pressionou as fabricantes tradicionais a reduzir margens e ampliar descontos para disputar consumidores.

A queda fica ainda mais evidente nos preços negociados diretamente nas concessionárias. O chamado preço de transação caiu 3,5% em 2026, passando de R$ 157,6 mil para R$ 152,1 mil. A diferença entre o valor sugerido pelas montadoras e o preço final pago pelo consumidor é resultado de estratégias como bônus de fábrica, maior valorização do veículo usado na troca e cortes pontuais nas taxas de financiamento.

A entrada de marcas chinesas também ganhou força no mercado brasileiro. No primeiro semestre de 2026, o Brasil se tornou o maior importador de carros chineses, com US$ 5,2 bilhões em compras. Desse total, US$ 4,5 bilhões foram destinados a veículos elétricos e híbridos. A expansão ocorreu em meio à busca das fabricantes chinesas por novos mercados, diante da demanda enfraquecida e da oferta elevada na China.

A escala de produção é apontada como uma das vantagens das montadoras chinesas. O mercado chinês movimenta cerca de 34 milhões de veículos por ano, dez vezes o tamanho do brasileiro. A BYD, por exemplo, fabricou cerca de 4 milhões de carros em 2025. Além disso, as fabricantes passaram a verticalizar a produção e fabricar internamente componentes importantes, como baterias, reduzindo custos e a dependência de intermediários.

Apesar da redução dos preços médios, a compra de um carro zero km ainda é difícil para grande parte da população. As taxas de financiamento veicular variam entre 18% e 22% ao ano, enquanto a Selic está em 14,25%. A expectativa do setor é que o crédito ganhe força com a queda dos juros.

Em períodos considerados normais, cerca de 60% das vendas de carros no Brasil dependem de financiamento bancário. Com o crédito mais caro, os bancos tendem a reduzir as concessões por causa do risco de inadimplência, o que limita o avanço das vendas mesmo diante da queda real dos preços.

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