Michelle é anunciada pelo PL para o Senado, mas não comparece a ato com Flávio Bolsonaro

Ex-primeira-dama era esperada em convenção, mas passa dia no hospital após crises de enxaqueca
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Por Raquel Lopes

(Folhapress) – A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) foi oficializada neste domingo (2) pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal durante convenção em Brasília. Ela, contudo, relatou crises de enxaqueca e não participou do anúncio, frustrando as expectativas de que haveria seu primeiro ato público ao lado do enteado Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, com quem teve atritos nos últimos meses.

Apesar de não comparecer ao evento, Michelle enviou uma carta lida pelo seu irmão Diego Torres, que será seu primeiro suplente. O texto, que se refere a Flávio como “nosso futuro presidente”, diz que Jair Bolsonaro escolheu o filho para estar à frente da “multidão de pessoas do bem” que está se levantando no Brasil.

“O meu marido escolheu o Flávio para estar à frente dessa multidão e nós vamos caminhar juntos e a passos largos para impedir que o mal seja audacioso e continue a castigar o nosso povo”, disse na carta.

Michelle divulgou pela manhã em suas redes sociais uma foto no hospital. “Devido à persistência do quadro de cefaleia, hoje [domingo] foi realizado procedimento de bloqueio anestésico dos nervos cranianos e pericranianos”, afirmou a assessoria da ex-primeira-dama.

Em nota, o hospital DF Star disse que Michelle passou por exames para investigar o quadro de cefaleia refratária. A resposta ao procedimento foi satisfatória, de acordo com a unidade médica, e ela teve alta do hospital ainda neste domingo, com orientações de acompanhamento com equipe médica assistente.

Flávio esteve na convenção, desejou uma rápida recuperação para a ex-primeira-dama e destacou que a eleição de Michelle e de Bia Kicis (PL-DF), também candidata ao cargo, é fundamental para formar um Senado forte. Hoje deputada federal, Kicis já havia anunciado no sábado (1º) que faria dobradinha com a ex-primeira-dama nas eleições.

“Eu quero desejar aqui melhoras para Michelle, que ela se recupere rápido. Há pouco tempo nossa filha também teve essas enxaquecas fortes e fez o mesmo tratamento”, disse Flávio.

“As duas senadoras que eu peço para Brasília colocar lá no Senado, para nos ajudar no Congresso Nacional a resgatar a nossa democracia. Porque com um Senado forte vamos fazer com que ministros do Supremo voltem a respeitar a Constituição Federal. Vamos fazer uma anistia ampla, geral e restrita aos perseguidos do 8 de Janeiro”, completou o filho de Bolsonaro.

Na carta, Michelle também disse que é filha de Ceilândia e destacou suas raízes e seus quase 20 anos de casamento com Jair Bolsonaro, a quem descreveu como a “maior liderança da direita brasileira”. Ela afirmou que seu interesse pela política surgiu ao compreender que as decisões do Congresso impactam diretamente a vida cotidiana das famílias, como o preço do botijão de gás.

Ao projetar o futuro, Michelle apresentou sua chapa majoritária no DF, composta por nomes como Flávio, Celina Leão (PP-DF) ao governo e ela própria. Ela agradeceu a Valdemar Costa Neto, presidente do PL, pela oportunidade à frente do PL Mulher e pelo incentivo à sua candidatura.

No sábado, Michelle também não pôde comparecer no evento de Bia Kicis porque estava no hospital.
“A ressonância estava prevista para as 15h e até agora não tinha acontecido, portanto, ela não vai poder estar aqui pessoalmente, mas ela me incumbiu de dar a vocês essa grande notícia. Michelle Bolsonaro anuncia que ela é, sim, pré-candidata ao Senado pelo PL do Distrito Federal”, disse a deputada.

“Acabou a dúvida, acabou o mistério. Nós caminharemos juntas, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Celina Leão. A maior chapa que esse Distrito Federal já viu, a maior, a melhor, feita por mulheres aguerridas”, continuou.

Dirigentes do PL dizem esperar que Michelle entre na campanha de Flávio após os embates recentes, depois de ela divulgar vídeo dizendo ter sido humilhada e maltratada pelo enteado.

Diego Torres, irmão de Michelle, esteve na convenção neste domingo e transmitiu mensagem de apoio da ex-primeira-dama por meio de uma carta. “Meu marido escolheu Flávio como candidato e nós vamos caminhar juntos e a passos largos para impedir que o mal possa prosperar”, escreveu ela.

A ex-primeira-dama e o senador fizeram os primeiros gestos de reconciliação em julho, após quase um mês de rompimento público, em um acordo articulado por Valdemar Costa Neto para estancar uma das crises da campanha do presidenciável.

Depois de Flávio publicar um novo pedido de desculpas em suas redes, Michelle respondeu com um vídeo em que disse aceitar as desculpas. Na ocasião, ela falou em sentar e conversar com o presidenciável. Esse encontro, porém, não foi marcado, segundo interlocutores de ambos.

A reconciliação entre Flávio e Michelle vinha sendo articulada havia semanas por Valdemar e por duas amigas da ex-primeira-dama — a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora Celina Leão.

Segundo Valdemar afirmou à Folha de S. Paulo, a briga entre Flávio e Michelle “está atrapalhando muito a campanha”. A expectativa dele é que a reconciliação ajude o PL na busca de coligações com siglas aliadas. O dirigente disse que, com a direita desunida, “o pessoal fica sem confiança” para apoiar Flávio.

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