Você Sabe o Que Está Sentindo?

O Primeiro Passo para um Relacionamento Mais Saudável
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Identificar, compreender e acolher as próprias emoções é um exercício fundamental de autoconhecimento, e também uma das chaves para construir relacionamentos mais conscientes, maduros e verdadeiramente recíprocos.

Você já parou para pensar no que realmente está sentindo?

Muitas vezes, quando alguém nos pergunta como estamos, respondemos automaticamente: “Estou bem” ou “Estou mal”. Mas entre esses dois extremos existe um universo de emoções que, quando não reconhecemos, pode influenciar silenciosamente nossas escolhas, nossos relacionamentos e a maneira como nos posicionamos diante da vida.

Segundo o hipnoterapeuta americano Calvin D. Banyan, autor do livro The Secret Language of Feelings (A Secreta Linguagem das Emoções, ainda sem tradução para o português), existem dez emoções primárias: desânimo, solidão, frustração, raiva, medo, inadequação, depressão, tristeza, estresse e culpa.

Essas emoções, segundo a abordagem apresentada pelo autor, estão relacionadas a necessidades e desejos que, de alguma maneira, não estão sendo atendidos.

Emoção
Necessidade ou desejo relacionado
Desânimo
Ter desafios e estímulos
Raiva
Buscar justiça para si ou para os outros
Culpa
Agir de maneira coerente e justa com os outros
Tristeza
Preservar pessoas ou coisas que são valiosas
Solidão
Estabelecer relacionamentos significativos
Inadequação
Sentir-se suficientemente capaz e adequado
Estresse
Sentir-se capaz de administrar as demandas da vida
Medo
Sentir-se seguro
Frustração
Encontrar resultados para os próprios esforços
Depressão
Sentir-se efetivo e encontrar esperança e propósito

A proposta é interessante porque nos convida a ir além de simplesmente nomear aquilo que sentimos. Afinal, dizer “estou com raiva” é apenas o começo. A pergunta seguinte deveria ser: o que essa raiva está tentando me mostrar?

Conhecimento só se transforma em poder quando é colocado em prática

Existe uma frase que gosto muito: conhecimento não é poder; conhecimento aplicado é poder.

Saber que estamos sentindo raiva, medo, tristeza ou frustração é importante. Mas o verdadeiro processo de autoconhecimento começa quando conseguimos compreender o que está por trás daquela emoção e, a partir daí, escolher uma ação mais consciente.

Podemos pensar nesse processo em três etapas:

1. Identificação- Dar nome ao que você está sentindo.

2. Compreensão- Investigar a causa e a necessidade que não está sendo atendida.

3. Ação- Escolher o que pode ser feito para transformar aquela situação.

Parece simples. Mas, na prática, exige exercício, atenção e autoconhecimento.

No meu trabalho, percebo frequentemente como muitas pessoas têm dificuldade para identificar o que realmente sentem. Conseguem dizer apenas que estão “bem” ou “mal”, mas não conseguem distinguir se estão frustradas, magoadas, inseguras, solitárias, ressentidas, com medo ou decepcionadas.

E quando não conseguimos nomear uma emoção, ela pode começar a comandar nossas atitudes sem que percebamos.

O primeiro passo: dar nome ao que você sente

Antes de tentar mudar uma emoção, precisamos reconhecê-la.

Pare por alguns instantes e escute sua voz interior.

Pergunte a si mesmo:

O que estou sentindo neste momento?

Se eu tivesse que dar um nome exato a essa emoção, qual seria?

Onde percebo essa sensação no meu corpo?

O corpo frequentemente percebe antes da mente consciente. Uma tensão no peito, um nó na garganta, um aperto no estômago ou uma aceleração dos batimentos podem ser sinais de que existe algo dentro de nós pedindo atenção.

Aprender a escutar esses sinais é uma forma de desenvolver inteligência emocional e aprofundar o autoconhecimento.

O segundo passo: compreender a causa

Depois de identificar a emoção, precisamos investigar o que está por trás dela.

Se estou com raiva, o que considero injusto?

Se estou triste, o que temo perder?

Se estou frustrado, qual resultado eu esperava e não aconteceu?

Se estou com medo, o que ameaça minha sensação de segurança?

Se estou me sentindo sozinho, que tipo de conexão estou desejando?

Essa investigação muda nossa relação com as emoções. Em vez de enxergá-las apenas como um problema a ser eliminado, passamos a compreendê-las como informações importantes sobre nossas necessidades, nossos limites e nossos desejos.

O terceiro passo: escolher uma ação

Identificar uma emoção e compreender sua origem é valioso. Mas, se nada muda depois disso, o conhecimento permanece apenas no campo da teoria.

Por menor que seja, procure dar um passo em direção à mudança.

Talvez seja necessário estabelecer um limite.

Ter uma conversa difícil.

Pedir ajuda.

Expressar uma necessidade.

Reavaliar uma escolha.

Cuidar de si.

Ou, simplesmente, aceitar que algumas situações não estão sob nosso controle.

É justamente aqui que a inteligência emocional se encontra com os relacionamentos.

Suas emoções também influenciam seus relacionamentos

É difícil construir uma parceria saudável quando não conseguimos compreender o que acontece dentro de nós.

Quando não identificamos nossas emoções, podemos atribuir ao outro sentimentos que são nossos, reagir impulsivamente, interpretar comportamentos de maneira equivocada ou esperar que nosso parceiro adivinhe necessidades que nunca conseguimos expressar.

Muitas discussões entre casais, por exemplo, parecem ser sobre um determinado assunto, mas escondem necessidades emocionais mais profundas.

Por trás da raiva pode existir uma sensação de injustiça.

Por trás da cobrança pode existir medo.

Por trás do afastamento pode existir tristeza.

Por trás do ciúme pode existir insegurança.

Por trás da necessidade de controle pode existir uma profunda dificuldade de confiar.

Por isso, o autoconhecimento não é um processo individual que termina em nós mesmos. Ele também transforma a maneira como nos relacionamos.

Quanto mais compreendemos nossas emoções, maior é a possibilidade de construir relações baseadas em comunicação, responsabilidade afetiva, intimidade e reciprocidade.

Isso vale para os relacionamentos amorosos, mas também para as relações familiares, profissionais e de amizade.

Conhecer a si mesmo é aprender a se relacionar melhor com o outro.

Nossas emoções são, de certa maneira, uma bússola interna. Quando aprendemos a reconhecê-las, compreender o que estão tentando nos comunicar e agir de maneira consciente, deixamos de ser simplesmente conduzidos por elas.

Começamos, então, a participar ativamente da construção da nossa própria vida, e dos relacionamentos que desejamos viver.

Mas existe uma questão importante: e quando sabemos o que estamos sentindo, compreendemos a origem dessa emoção, mas ainda assim não conseguimos controlá-la ou transformá-la?

É sobre isso que falaremos no próximo post.

Na próxima semana, vou mostrar como a EFT pode ajudar no processo de identificação, liberação e transformação de emoções negativas, contribuindo para que possamos lidar de maneira mais consciente com aquilo que sentimos e, consequentemente, melhorar nossa relação conosco e com as pessoas que fazem parte da nossa vida.

Até lá, comece pelo primeiro passo:

Pare. Respire. Escute-se. E tente dar um nome ao que você está sentindo.

Esse pode ser o início de um profundo processo de autoconhecimento.

Grande abraço,

 

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