Por Cleber Lourenço
O Palácio do Planalto decidiu atuar diretamente para encerrar a crise entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e a Polícia Federal depois de concluir que o embate em torno das investigações sobre as fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começava a produzir um desgaste político desnecessário para o governo às vésperas do início da campanha eleitoral.
A avaliação de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva era de que a tensão projetava sobre o Executivo uma crise institucional que poderia lançar dúvidas sobre o andamento das investigações e alimentar uma narrativa prejudicial ao governo.
Segundo interlocutores ouvidos pelo ICL Notícias, a leitura predominante no Planalto era de que o conflito havia deixado de ser uma divergência restrita entre o gabinete de André Mendonça e a direção da Polícia Federal para se transformar em um problema político.
Na avaliação desses auxiliares, manter o embate em evidência significava deslocar o foco das investigações para um conflito entre instituições do Estado, justamente quando o governo busca transmitir estabilidade institucional.
Um auxiliar próximo do presidente Lula, que participou diretamente das articulações para reduzir a tensão, resumiu a orientação adotada pelo governo.
“Ninguém precisa criar crise nesse momento”, afirmou ao ICL Notícias.
Segundo esse auxiliar, a missão recebida foi impedir que o episódio continuasse escalando e restabelecer a interlocução entre os envolvidos.
“Nosso papel foi apagar esse incêndio e colocar o trem nos trilhos. Que eles possam cumprir o papel que a Constituição estabeleceu para cada um”, disse.
Na avaliação do governo, a partir desse entendimento tornou-se possível recolocar no centro da discussão o avanço das investigações, afastando a percepção de um conflito institucional entre o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal. Um dos participantes da articulação afirmou que esse passou a ser o compromisso comum entre todos os envolvidos.
“Não há necessidade de criar ou alimentar um clima de crise. Está bem claro agora que todos estão empenhados em avançar com as investigações de maneira tranquila, ágil, eficaz e dentro dos limites do devido processo legal”, afirmou a fonte.
A expectativa no Planalto é que a interlocução continue nos próximos dias, culminando em uma aproximação entre André Mendonça e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A avaliação dos auxiliares do presidente é que, superado o desgaste institucional, o debate volte a se concentrar exclusivamente nas investigações sobre as fraudes no INSS, retirando o governo de uma crise que, na visão do próprio Executivo, não deveria ter extrapolado os limites administrativos.