O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Nova York neste domingo (20) para uma passagem curta pelos Estados Unidos, marcada pela participação na Assembleia Geral da ONU e pelo momento delicado da relação entre Brasil e Washington. A viagem ocorre a menos de duas semanas das eleições brasileiras, enquanto Lula disputa a reeleição em uma corrida acirrada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). O presidente retorna ao Brasil na terça-feira (22), após o discurso na ONU.
Nesta segunda-feira (21), antes do discurso, Lula mantém uma agenda de encontros em Nova York. Entre os compromissos estão reuniões com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e o senador americano Bernie Sanders. Mamdani também terá um encontro com Trump no mesmo dia, em agendas separadas. A reunião entre Lula e o prefeito foi solicitada pelo próprio prefeito e está prevista para ocorrer na residência do representante brasileiro na ONU.
Lula fará na terça-feira (22) o tradicional discurso de abertura do debate geral da Assembleia Geral, antes da fala de Donald Trump, que representará o país anfitrião. Embora não exista uma reunião bilateral agendada entre os dois presidentes, a proximidade entre as agendas pode favorecer um contato informal nos bastidores. A situação se repete em parte ao ocorrido em 2025, quando Lula e Trump tiveram uma conversa rápida antes do discurso do americano, em um encontro que posteriormente abriu espaço para a retomada do diálogo entre os dois governos.
A expectativa em torno do discurso brasileiro é de que Lula destaque temas como soberania nacional, defesa da democracia, multilateralismo e reforma das instituições internacionais. O presidente também deverá abordar o combate ao crime organizado transnacional, mudanças climáticas, comércio e conflitos internacionais. Segundo informações divulgadas sobre a preparação da fala, a defesa da soberania e da não intervenção deverá ser feita de maneira geral, sem uma referência direta aos Estados Unidos ou a Donald Trump.
A viagem ocorre em um momento de tensão nas relações entre Brasília e Washington, com divergências comerciais e políticas e diferentes posições sobre o combate ao crime organizado. O governo brasileiro também tem manifestado preocupação com possíveis interferências externas no processo eleitoral. Nesse contexto, a participação de Lula na ONU ganha dimensão diplomática e ocorre simultaneamente à reta final da campanha presidencial brasileira.
A agenda internacional também terá como pano de fundo a defesa do multilateralismo. Lula participou, antes da Assembleia Geral, do lançamento da iniciativa “Parceiros pelo Multilateralismo”, ao lado de outros líderes internacionais, em uma proposta voltada ao fortalecimento e à reforma do sistema multilateral. Na terça-feira, após o discurso, o presidente deverá deixar Nova York e retornar ao Brasil para retomar a campanha eleitoral.