Trump admite que guerra contra o Irã contribuiu para derrota republicana

Presidente reconhece impacto do conflito sobre o preço da gasolina; democratas conquistam o Congresso com avanço de candidatos progressistas e representantes de minorias
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reconheceu nesta quarta-feira (4) que a guerra contra o Irã contribuiu para a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato. Apesar de admitir os efeitos econômicos e eleitorais do conflito, afirmou que repetiria os ataques contra o país.

Em Teerã, iranianos aproveitaram a derrota eleitoral de Trump para provocá-lo. Durante um protesto na Praça Enqelab nesta quarta-feira (4), manifestantes agitaram bandeiras diante de um cartaz com imagens do presidente americano, do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, do enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e do vice-presidente J.D. Vance. O cartaz, com mensagens contrárias aos Estados Unidos e a Israel, foi incendiado durante o ato.

Em sua primeira aparição pública após a vitória democrata, Trump concordou com a avaliação do vice-presidente, J.D. Vance, de que a guerra prejudicou os republicanos ao provocar uma alta nos preços dos combustíveis. Ainda assim, defendeu a ofensiva militar como necessária para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.

O Partido Democrata conquistou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, ampliando sua capacidade de fiscalizar o governo e dificultar parte da agenda presidencial.

Trump afirmou que “provavelmente vai se dar bem” com os democratas, mas ressaltou que poderá usar seu poder de veto para barrar propostas da oposição. O presidente disse ainda que lideranças democratas já entraram em contato para negociar.

Guerra contra o Irã elevou custo de vida nos EUA

Iniciada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel, a guerra contra o Irã provocou aumentos nos preços dos combustíveis e das passagens aéreas, pressionando a inflação americana. Estimativas atribuídas a fontes do Pentágono indicam que o conflito pode ter custado até US$ 100 bilhões aos cofres públicos.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada às vésperas das eleições mostrou que 48% dos eleitores apontavam o custo de vida como a principal preocupação na hora de votar.

O levantamento também revelou a rejeição à ofensiva militar: apenas 25% consideravam que a guerra havia valido a pena, enquanto 55% discordavam e 18% estavam indecisos.

Trump havia afirmado que o conflito terminaria rapidamente. Entretanto, após meses de confrontos e o fracasso de um acordo de cessar-fogo, a guerra continua, embora em menor intensidade. Segundo o The Wall Street Journal, os EUA realizaram um novo ataque contra a ilha iraniana de Qeshm na segunda-feira (2).

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A candidata democrata ao cargo de Secretária de Estado da Geórgia, Penny Brown Reynolds, discursa durante uma festa na noite das eleições de meio de mandato em Atlanta, Geórgia, em 3 de novembro de 2026.
Os americanos que votarem nas eleições de meio de mandato decidirão quem controlará o Congresso nos dois anos finais da presidência de Donald Trump, além de dezenas de governos estaduais e milhares de cargos estaduais. Foto por AFP

Progressistas e minorias impulsionam vitória democrata

Além da insatisfação com o governo Trump, as eleições foram marcadas pelo avanço de candidaturas progressistas e por conquistas históricas de representação política.

Segundo a Agência Brasil, entre os destaques está James Talarico, de 37 anos, eleito senador pelo Texas, estado onde os democratas não venciam uma disputa para o Senado havia quase quatro décadas. Filho de pastor, Talarico combina referências religiosas com a defesa de políticas sociais e críticas aos benefícios fiscais concedidos aos mais ricos.

O Texas também elegeu Gina Hinojosa, primeira mulher latina a conquistar o governo estadual. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms tornou-se a primeira mulher negra eleita governadora dos Estados Unidos.

Outras vitórias incluem Deb Haaland, primeira indígena eleita governadora, no Novo México; Chris Pappas, primeiro homem abertamente gay eleito para o Senado, por New Hampshire; e Abdul El-Sayed, primeiro muçulmano eleito senador, por Michigan, que fez campanha criticando a ajuda militar americana a Israel.

À Agência Brasil, a professora Camila Vidal, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), avaliou que o resultado representa uma aproximação dos democratas com pautas da classe trabalhadora, como acesso à saúde e melhores condições de vida.

Trump sinaliza resistência ao novo Congresso

Apesar de afirmar que poderá negociar com os democratas, Trump já havia antecipado uma postura de resistência caso perdesse a maioria no Congresso.

Em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post, o presidente afirmou que poderia se tornar o “Sr. Veto”, bloqueando propostas até que a oposição aceitasse negociar com a Casa Branca.

Após os primeiros resultados desfavoráveis aos republicanos, Trump publicou nas redes sociais a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”.

O presidente também voltou a alegar que teria vencido as eleições caso seu nome estivesse nas cédulas, citando a presença de apoiadores em seus comícios. As declarações foram dadas durante uma visita às obras de um salão de baile na Casa Branca, onde Trump convocou jornalistas para sua primeira aparição pública após a derrota.

*Com informações da Agência Brasil

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