Maíra do MST defende reforma agrária contra a fome na Rio Innovation Week

Vereadora também defende a agroecologia como alternativa para enfrentar a crise climática
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A vereadora Maíra do MST (PT), do Rio de Janeiro, defendeu nesta quinta-feira (6) a Reforma Agrária Popular e a agroecologia como alternativas para enfrentar a fome e os efeitos da crise climática. A declaração ocorreu durante a Rio Innovation Week (RIW), onde a parlamentar participou do painel “O Direito à Alimentação: Segurança e Soberania Alimentar”.

Segundo Maíra, o Brasil vive uma disputa entre dois modelos de produção de alimentos. De um lado, afirmou, está o agronegócio baseado na concentração de terras e na monocultura. Do outro, a Reforma Agrária Popular, que, segundo ela, propõe democratizar o acesso à terra, preservar a biodiversidade e ampliar a produção de alimentos saudáveis.

“A Reforma Agrária Popular é uma resposta ao agro, é uma política pública de combate à fome. Significa um novo projeto de sociedade e não apenas a divisão da terra”, afirmou.

A vereadora também defendeu que práticas de agroecologia e agricultura familiar sejam tratadas como formas de inovação. Para ela, essas iniciativas podem contribuir para um modelo de produção com menor impacto ambiental e mais proteção social.

“Precisamos entender a reforma agrária e a agroecologia como tecnologias sociais que a gente tem que fortalecer para fundar um modelo produtivo menos desigual, com justiça climática e mais direitos para os trabalhadores do campo e da cidade”, disse.

Maíra preside a Comissão de Segurança Alimentar e Nutricional da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que, segundo o release do evento, é a primeira comissão do tipo criada em um legislativo municipal no país. Ela também é a primeira vereadora eleita no município do Rio de Janeiro com representação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Produção de alimentos nas cidades

Durante o painel, a vereadora chamou atenção para iniciativas de produção de alimentos existentes dentro e nos arredores das cidades. Ela citou hortas urbanas, quintais produtivos, comunidades quilombolas, favelas e assentamentos, além de cozinhas de terreiro.

“O Rio tem hortas urbanas e produção agrícola no interior, como nos maciços, quilombos, quintais, favelas e assentamentos. As cozinhas de terreiro são iniciativas de segurança alimentar que os povos negros fazem há muito tempo”, afirmou.

Para Maíra, essas experiências podem ser consideradas tecnologias sociais capazes de contribuir para a construção de sistemas alimentares mais resilientes.

A vereadora também mencionou iniciativas do MST relacionadas à agroecologia e à agricultura familiar, como a Jornada da Natureza, que estabeleceu a meta de plantar 100 milhões de árvores até 2030, além de ações de mecanização e de incentivo ao cooperativismo.

O painel teve ainda a participação da cientista social Generosa de Oliveira Silva, da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), com mediação de Jiana Tomaz Moro, diretora operacional do FINAPOP, entidade voltada a crédito e investimentos para a agricultura familiar.

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