Quando o Corpo Fala

A Relação Entre Dor, Emoções e Autoconhecimento
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Na semana passada, falei sobre a EFT – Emotional Freedom Techniques, ou Técnicas de Liberdade Emocional e ensinei uma maneira simples de utilizar o tapping para lidar com algumas dores pontuais.

Hoje quero dar um passo além.

Porque, muitas vezes, aquilo que sentimos no corpo não pode ser compreendido apenas olhando para o corpo.

Existe uma relação importante entre aquilo que vivemos emocionalmente e a maneira como nosso organismo responde às experiências da vida.

Isso não significa que toda dor física tenha necessariamente uma origem emocional. Dor persistente, intensa ou sem explicação deve sempre ser investigada por um profissional de saúde.

Mas também não podemos ignorar uma pergunta importante:

O que está acontecendo dentro de mim enquanto meu corpo está pedindo atenção?

Atrás de uma dor sempre existe uma emoção

Imagine uma pessoa que passa semanas vivendo sob pressão.

Ela trabalha muito, dorme pouco, preocupa-se constantemente, não consegue dizer “não”, guarda o que gostaria de falar e continua funcionando como se estivesse tudo bem.

Em algum momento, o corpo pode começar a responder.

Uma tensão constante nos ombros.
Uma dor de cabeça recorrente.
Um aperto no peito.
Uma sensação de peso.
Dificuldade para relaxar.

Nem sempre existe uma relação direta e simples entre uma emoção e uma dor física. Mas sabemos que estresse, ansiedade e estados emocionais intensos podem influenciar a forma como percebemos e experimentamos sintomas físicos.

É por isso que vale a pena olhar para a dor de maneira mais ampla.

Além de perguntar:

“Onde dói?”

podemos perguntar:

“O que estou vivendo?”

“O que estou sentindo?”

“Há quanto tempo estou carregando isso?”

Essa investigação é uma forma de autoconhecimento.

O corpo também participa da nossa história emocional.

Nosso corpo não existe separado da nossa mente.

Uma experiência emocional intensa pode produzir respostas físicas. O coração acelera quando sentimos medo. A musculatura se contrai quando estamos sob tensão. A respiração muda quando estamos ansiosos.

E experiências emocionais repetidas podem influenciar a maneira como nosso corpo reage ao estresse e como percebemos determinados desconfortos.

Por isso, cuidar da nossa saúde emocional não significa simplesmente “pensar positivo”.

Significa aprender a reconhecer o que sentimos, compreender o que está acontecendo conosco e desenvolver recursos para atravessar as diferentes situações da vida com mais equilíbrio.

Equilíbrio emocional não significa não sentir

Essa é uma distinção importante.

Ser emocionalmente equilibrado não significa viver permanentemente tranquilo, feliz ou livre de problemas.

A vida inevitavelmente nos coloca diante de perdas, frustrações, conflitos, mudanças, incertezas, rejeições e desafios.

Equilíbrio emocional significa conseguir sentir sem ser completamente dominado pelo que sentimos.

Porque uma emoção intensa pode interferir na maneira como pensamos e agimos.

Pode influenciar nossas decisões.

Nossa comunicação.

Nossa capacidade de ouvir.

Nossa maneira de interpretar o comportamento do outro.

Nossos relacionamentos.

E até mesmo nossa vida profissional.

Quantas decisões são tomadas no calor da raiva?

Quantas conversas importantes são evitadas por medo?

Quantas relações são prejudicadas porque uma pessoa reage à insegurança como se estivesse diante de uma ameaça?

Quantas oportunidades profissionais são perdidas porque alguém acredita que não é suficientemente capaz?

Quando não compreendemos nossas emoções, podemos acabar permitindo que elas conduzam nossa vida.

Emoções pontuais e emoções profundas

É aqui que quero apresentar uma diferença importante dentro da utilização da EFT.

Existem momentos em que estamos diante de uma emoção mais pontual.

Uma irritação depois de uma discussão.

Uma ansiedade antes de uma apresentação.

Um medo diante de determinada situação.

Uma frustração específica.

Nesses casos, aprender os princípios do Tapping, EFT pontual, pode ser uma ferramenta interessante para ajudar a reduzir a intensidade daquele desconforto e recuperar um pouco mais de equilíbrio.

Neste vídeo, mostro como utilizar a EFT para trabalhar a ansiedade:

https://www.youtube.com/watch?v=blSffubxahY&t=147s

Mas existe uma diferença importante.

Algumas emoções não surgiram hoje.

Elas podem estar relacionadas a experiências antigas, perdas, rejeições, abandono, conflitos familiares, relacionamentos difíceis, traumas ou situações que deixaram marcas profundas.

Nesses casos, simplesmente fazer alguns minutos de tapping pode não ser suficiente.

É preciso olhar para a história daquela emoção.

Compreender quando ela começou.

O que a mantém.

Quais pensamentos e crenças estão associados a ela.

E como aquela experiência continua influenciando a vida da pessoa.

É nesse momento que o acompanhamento de um profissional qualificado pode fazer toda a diferença.

A EFT pode ser utilizada dentro desse processo mais profundo, mas é importante compreender que existe uma diferença entre utilizar uma técnica pontualmente e realizar um trabalho terapêutico estruturado.

Afinal, o que queremos quando falamos em liberdade emocional?

Não queremos deixar de sentir.

Não queremos eliminar todas as emoções negativas.

E muito menos transformar nossa vida em uma tentativa permanente de controlar aquilo que sentimos.

As emoções existem por uma razão.

Elas nos informam.

Nos alertam.

Revelam necessidades.

Mostram limites.

Apontam desejos.

E, muitas vezes, indicam que alguma coisa dentro de nós precisa ser observada.

O problema começa quando deixamos de escutá-las e passamos simplesmente a reagir a elas.

Quando a raiva decide por nós.

Quando o medo escolhe por nós.

Quando a insegurança determina nossos relacionamentos.

Quando a tristeza nos impede de seguir em frente.

Quando a ansiedade interfere nas nossas decisões.

Autoconhecimento é justamente aprender a reconhecer aquilo que acontece dentro de nós antes que isso passe a determinar aquilo que fazemos fora de nós.

E talvez seja essa uma das grandes possibilidades da EFT: criar um espaço entre o que sentimos e a maneira como reagimos.

Um espaço para respirar.

Observar.

Compreender.

E escolher.

Porque nossas emoções fazem parte de nós.

Mas elas não precisam dirigir a nossa vida.

Na próxima semana, quero continuar essa conversa e aprofundar ainda mais para os nossos relacionamentos.

Até lá, observe-se.

Quando uma emoção surgir, antes de perguntar:

“Como faço para deixar de sentir isso?”

experimente perguntar:

“O que essa emoção está tentando me dizer?”

Talvez essa pergunta seja o começo de uma conversa muito importante com você mesmo.

Grande abraço,

 

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