O empresário brasileiro Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, passou a integrar o grupo de proprietários do Liverpool. Ele faz parte do consórcio 1892 Holdings, ao lado do fundador da Amazon, Jeff Bezos, e de outros investidores, que adquiriu uma participação minoritária no clube inglês. Saverin é hoje o brasileiro mais rico do mundo, com fortuna estimada em US$ 33 bilhões (cerca de R$ 173 bilhões), ocupando a 66ª posição no ranking global de bilionários de 2026.
Essa não é a primeira aproximação do empresário com o futebol inglês. Em 2022, ele integrou o grupo liderado por Steve Pagliuca, co-presidente da Bain Capital e coproprietário do Boston Celtics, que tentou comprar o Chelsea quando o clube foi colocado à venda por Roman Abramovich. Saverin e a esposa, Elaine, apoiavam a proposta, avaliada em cerca de US$ 4 bilhões, mas o grupo perdeu a disputa para o consórcio liderado por Todd Boehly e pela Clearlake Capital.
Nascido em São Paulo em 1982, Saverin se mudou ainda criança para os Estados Unidos, onde conheceu Mark Zuckerberg durante a graduação em Harvard e ajudou a fundar o Facebook, em 2004. Hoje com 44 anos, vive em Singapura com a esposa e o filho, fala inglês e português fluentemente e tem nível intermediário de espanhol. Segundo o livro “Milionários Acidentais”, de Ben Mezrich, coube a ele a área de negócios e o investimento inicial que viabilizou a empresa nos primeiros meses.

Rompimento com Zuckerberg inspirou filme
A parceria entre os dois fundadores se desgastou ainda nos primeiros anos do Facebook. Segundo reportagem do Business Insider de 2012, Zuckerberg estava insatisfeito com o afastamento de Saverin do dia a dia da empresa e chegou a dizer, em mensagem ao cofundador Dustin Moskovitz, que o brasileiro havia falhado em estruturar o negócio, captar recursos e desenvolver um modelo de receita.
Em julho de 2004, Zuckerberg criou uma nova empresa em Delaware para assumir o controle do Facebook, o que diluiu a fatia de Saverin de 65% para menos de 10%.
O caso foi parar na Justiça, com acusações dos dois lados, e terminou em acordo que deixou Saverin com cerca de 5% da companhia. O episódio inspirou parte do filme “A Rede Social” (2010), de David Fincher, no qual o brasileiro foi interpretado por Andrew Garfield.
Em 2012, pouco antes da abertura de capital do Facebook, Saverin renunciou à cidadania americana e se mudou definitivamente para Singapura. Mesmo com a fatia reduzida, ele chegou a ser apontado como o brasileiro mais rico da história em 2024, quando sua fortuna foi estimada em US$ 155,9 bilhões após forte alta das ações da Meta.
De cofundador do Facebook a investidor global
Após deixar a gestão da rede social, Saverin voltou-se a investimentos em empresas de tecnologia em estágio inicial e, em 2015, fundou a gestora B Capital ao lado de Raj Ganguly, ex-executivo da Bain Capital e do BCG. A empresa, da qual ele é cofundador e copresidente, hoje administra mais de US$ 7 bilhões e mantém escritórios em cidades como São Francisco, Nova York, Singapura e Hong Kong.
Nos últimos anos, a gestora ampliou sua atuação com novos fundos: US$ 250 milhões em 2022 para startups iniciais, US$ 750 milhões em 2024 para empresas mais consolidadas e, em 2026, um fundo adicional de US$ 500 milhões voltado a novos negócios de tecnologia.