Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados

Fenômeno pode atingir intensidade muito forte e provocar impactos como calor, seca e aumento do risco de incêndios no Brasil
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Cientistas acompanham a formação de um possível “Super El Niño”, que pode estar entre os mais intensos já registrados. Projeções apontam 90% de probabilidade de o fenômeno ser muito forte, com pico esperado para dezembro e efeitos que podem continuar no primeiro semestre de 2027.

O El Niño ocorre quando os ventos alísios enfraquecem e permitem que águas mais quentes do Oceano Pacífico se desloquem para o leste, alterando padrões atmosféricos em diferentes partes do planeta.

Para acompanhar o fenômeno, pesquisadores utilizam dados de satélite, boias espalhadas pelo Pacífico e registros naturais preservados em cavernas. Estalagmites e sedimentos permitem reconstruir mudanças climáticas e identificar períodos de chuvas intensas ocorridos milhares de anos atrás.

Um dos episódios mais marcantes ocorreu entre 1982 e 1983. Na época, a seca provocou perdas agrícolas no Nordeste brasileiro, enquanto Santa Catarina enfrentou enchentes que atingiram centenas de municípios, deixaram dezenas de mortos e causaram grandes prejuízos à infraestrutura.

No Brasil, as projeções atuais indicam maior probabilidade de temperaturas acima da média em grande parte do território. Na Amazônia, a combinação de calor e seca também aumenta o risco de incêndios, embora o fogo dependa principalmente da ação humana.

O fenômeno também provoca efeitos em outras partes do mundo. Na Indonésia, a redução das chuvas favorece incêndios florestais. Na China, enchentes causaram alagamentos, enquanto nevascas na América do Sul bloquearam uma importante estrada andina.

Diante dos riscos, pesquisadores também investem em tecnologias para antecipar deslizamentos e outros desastres. Drones, sensores e inclinômetros são usados para identificar movimentações do solo e emitir alertas, enquanto especialistas defendem o monitoramento e a educação das comunidades para reconhecer sinais de instabilidade.

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