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Por Bruno Lucca

(Folhapress) – O Discord começou a suspender nesta segunda-feira (17) os recursos de compartilhamento de tela e chamadas de vídeo no Brasil para cumprir uma determinação da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados).

A empresa havia afirmado à agência que não conseguiria implementar a medida no prazo de três dias úteis determinado pelo órgão federal. Na sexta-feira (14), pediu a reconsideração da decisão e questionou a competência da agência para determinar a suspensão. O pedido ainda aguarda análise.

O cofundador e diretor de tecnologia do Discord, Stanislav Vishnevskiy, afirmou que a empresa está cumprindo a ordem e trabalhando “de boa-fé” com a ANPD. Segundo ele, a plataforma pretende restabelecer os recursos “o mais rápido possível”.

“Os recursos de compartilhamento de tela e chamadas de vídeo ficarão indisponíveis para usuários no Brasil a partir de agora”, afirmou Vishnevskiy.

O Discord disse que continuará oferecendo no país mensagens diretas, servidores, canais de voz, chamadas exclusivamente de áudio e os demais recursos que não dependem de vídeo ou compartilhamento de tela.

A suspensão foi determinada pela ANPD na quarta-feira (12), em uma medida preventiva relacionada à proteção de crianças e adolescentes. A agência deu três dias úteis para que a plataforma interrompesse as funcionalidades de vídeo.

Plataforma do Discord está sendo investigada por não impedir grupos que incentivam suicídio | Crédito: Juca Varela/Agência Brasil
Diretor de tecnologia do Discord diz que empresa atua de boa-fé e pretende restabelecer os recursos o mais rápido possível (Foto: Juca Varela / Agência Brasil)

A decisão ocorreu após a agência abrir uma fiscalização sobre o Discord, em meio às investigações sobre a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul. O caso envolveu uma transmissão na plataforma e grupos que, segundo as investigações, promoviam violência extrema e incentivavam práticas de automutilação.

Em manifestação apresentada à ANPD na sexta-feira, o Discord havia dito que o prazo para cumprir a determinação era inviável e pediu a revogação da medida. A empresa também argumentou que a suspensão teria natureza de sanção e questionou se a agência teria competência para aplicá-la.

Apesar da contestação, a empresa conseguiu implementar a restrição dentro do prazo. Na carta desta segunda, porém, o Discord não afirma ter desistido do pedido de reconsideração. Ao contrário, diz que está trabalhando para recuperar os recursos.

O Discord também apresentou uma defesa pública da plataforma e pediu apoio dos usuários brasileiros.

Afirmou ser menor do que outras grandes plataformas globais e disse que, para legisladores e reguladores que não conhecem o serviço, pode ser difícil compreender os diferentes usos da plataforma.

A companhia pediu que usuários compartilhem nas redes sociais relatos sobre como utilizam o Discord e marquem a empresa. Segundo Vishnevskiy, a intenção é “mostrar o panorama completo de como o Discord é usado no Brasil”.

A plataforma também afirmou que continua colaborando com as autoridades policiais no caso que motivou a decisão da ANPD. A agência ainda deverá analisar as informações apresentadas pelo Discord e o pedido de reconsideração. A fiscalização pode resultar em novas medidas contra a plataforma.

O que está bloqueado no Discord no Brasil

Não funciona

  • Chamadas de vídeo;
  • Compartilhamento de tela;
  • Todas as funcionalidades de comunicação por vídeo em tempo real, em conversas privadas, grupos e servidores.

Continua funcionando

  • Mensagens diretas individuais e em grupo;
  • Servidores;
  • Canais de voz;
  • Chamadas somente por áudio;
  • Demais recursos que não dependem de vídeo ou compartilhamento de tela.
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