Alcolumbre mantém 6×1 enquanto PL articula tirá-lo do comando do Senado

Assessoria confirma cronograma da PEC, enquanto senadores avaliam maior dependência de Alcolumbre do governo
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Por Cleber Lourenço

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vai manter o cronograma de discussão da PEC que acaba com a escala 6×1 mesmo depois do avanço da direita nas eleições de domingo (4). A assessoria do senador confirmou ao ICL Notícias nesta segunda-feira (5) que o calendário está mantido, enquanto o PL já articula abertamente a eleição de Rogério Marinho (PL-RN) para substituí-lo no comando da Casa em 2027.

A movimentação coloca Alcolumbre diante de uma nova equação política. Senadores ouvidos pelo ICL Notícias avaliam que o resultado das urnas aumentou sua dependência do governo e dos partidos aliados ao presidente Lula (PT) para permanecer no controle do Senado. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno tornaria essa articulação mais difícil.

A PEC 221/2019 começa a ser discutida no plenário nesta terça-feira (6). O calendário estabelecido por Alcolumbre prevê sessões também na quarta (7) e na quinta-feira (8). O texto, já aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e prevê até cinco dias de trabalho por semana, com dois dias de descanso remunerado. Para ser aprovada, a mudança constitucional precisa receber pelo menos 49 votos em dois turnos.

A confirmação feita pela assessoria de Alcolumbre contraria a expectativa de parte dos governistas de que o resultado das eleições pudesse levar o presidente do Senado a recuar. Nesta segunda, a Folha de S.Paulo informou que integrantes da base consideravam politicamente inviável votar a proposta nesta semana diante do crescimento da direita e da nova disputa pelo comando da Casa.

PL cresce e anuncia candidato contra Alcolumbre

O problema de Alcolumbre ficou mais evidente depois das urnas. O PL elegeu 19 senadores e chegará a 2027 com 28 das 81 cadeiras, tornando-se de longe a maior bancada da Casa. PT terá nove senadores, MDB, oito, PP e União Brasil, seis cada.

O crescimento deu ao partido de Flávio Bolsonaro condições para tentar comandar o Senado. Nesta segunda, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, deixou claro que o plano é lançar Rogério Marinho e reunir outras legendas de direita e centro-direita para formar maioria.

“Rogério é o que reúne as melhores condições para ser presidente do Senado. É muito preparado e nós, vamos dizer, o Senado vai trabalhar pra isso, porque nós temos os outros partidos que elegeram, por exemplo, o Henrique e do PP. Nós vamos ter o PP com do nosso lado, vamos ter união, vamos ter republicanos, nós fazemos maioria lá”, afirmou Valdemar.

A conta mencionada pelo dirigente partidário tem respaldo na nova composição do Senado. PL, PP, União Brasil e Republicanos terão, juntos, 44 das 81 cadeiras em 2027, três acima das 41 necessárias para formar maioria absoluta. Isso não significa que os votos estejam automaticamente garantidos a Marinho — especialmente porque Alcolumbre pertence ao próprio União Brasil —, mas dá ao PL uma base partidária suficiente para tentar construir sua candidatura.

Valdemar condiciona vitória no Senado ao Planalto

Valdemar também explicitou outro componente dessa disputa: o resultado da eleição presidencial. Para o presidente do PL, conquistar o Palácio do Planalto seria fundamental para garantir a eleição de Rogério Marinho.

“Agora precisamos fazer o presidente da República pra fazer o presidente do Senado, porque é uma influência muito grande do Executivo no Senado. É muito poder no Executivo e nós esperamos que isso aconteça e que tudo corra bem e que o Rogério possa ser o presidente. Rogério Marinho possa ser o nosso presidente”, afirmou.

Questionado diretamente se Alcolumbre estaria descartado de uma negociação com o PL para continuar no comando do Senado, Valdemar respondeu: “Sim, sim. Totalmente descartado, totalmente descartado. Agora nós precisamos ganhar a eleição para presidente.”

A declaração ajuda a explicar a avaliação feita sob reserva por senadores ao ICL Notícias sobre a posição de Alcolumbre. Se Lula vencer o segundo turno, o atual presidente do Senado terá no Palácio do Planalto um aliado interessado em impedir que o PL assuma também o controle da Casa. Se Flávio Bolsonaro vencer, Marinho poderá contar não apenas com a maior bancada do Senado, mas também com a influência do Executivo reconhecida pelo próprio Valdemar.

O precedente mais recente mostra o peso dessa articulação. Em 2023, Rogério Marinho já tentou comandar o Senado, mas foi derrotado por Rodrigo Pacheco por 49 votos a 32. Pacheco tinha o apoio do recém-empossado governo Lula e do grupo político comandado por Alcolumbre.

É nesse novo cenário que a PEC do fim da escala 6×1 chega ao plenário. Além de uma das principais bandeiras trabalhistas defendidas pelo governo durante a campanha, a proposta será uma das primeiras votações relevantes depois de uma eleição que fortaleceu justamente os adversários de Lula dentro do Senado.

Para Alcolumbre, portanto, a tramitação começa também como um teste de sua capacidade de continuar articulando com o governo sem perder pontes com um Senado que saiu das urnas mais à direita — e no qual o maior partido já anunciou que pretende tirá-lo do comando da Casa.

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