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Os cursos técnicos podem ser uma alternativa para quem busca uma formação mais rápida e direcionada ao mercado de trabalho. Em geral, essas formações duram de um a dois anos e preparam profissionais para atuar em áreas específicas. Algumas delas, porém, são pouco conhecidas fora dos setores em que estão inseridas.

Um levantamento baseado em registros do Caged mostra que algumas dessas ocupações têm médias salariais superiores a R$ 4 mil. A maior remuneração média da lista é a de desenhista técnico naval, com R$ 7.543. Na sequência aparecem técnico de mineração em petróleo, com R$ 6.107, e técnico em instrumentação, com R$ 4.588.

Os valores correspondem ao salário-base de trabalhadores contratados pelo regime CLT e não incluem benefícios, horas extras, participação nos lucros ou adicionais de insalubridade, periculosidade e trabalho noturno. As médias também podem variar de acordo com estado, cidade, setor e experiência profissional.

1. Desenhista técnico naval

O desenhista técnico naval trabalha na elaboração de plantas, croquis e representações de estruturas, peças e sistemas utilizados em embarcações. A atividade exige conhecimentos de leitura e interpretação de projetos, cálculos e ferramentas de desenho assistido por computador.

A remuneração média nacional indicada no levantamento é de R$ 7.543. O número, no entanto, deve ser analisado com cautela: o cálculo considera apenas 66 movimentações profissionais registradas no Caged, uma amostra menor que a de outras ocupações.

Entre os possíveis empregadores estão estaleiros, empresas de engenharia naval, fabricantes de equipamentos marítimos, escritórios de projetos e companhias de manutenção de embarcações.

2. Técnico de mineração em petróleo

O profissional atua em atividades relacionadas à prospecção, sondagem, perfuração e extração de petróleo e gás. Também pode acompanhar instalações, tubulações, tanques e processos de armazenamento.

A média salarial é de R$ 6.106,72, de acordo com dados baseados em 272 registros do Caged. A mediana ficou em R$ 5.667,50, enquanto o teto estimado chegou a R$ 9.447,65.

As oportunidades estão concentradas em empresas de exploração e produção, prestadoras de serviços offshore, refinarias, terminais de armazenamento e companhias de pesquisa geológica e geofísica.

3. Técnico em instrumentação

O técnico em instrumentação é responsável pela instalação, calibração e manutenção de equipamentos que medem variáveis como pressão, temperatura, vazão e nível em processos industriais.

A ocupação apresenta salário médio de R$ 4.588,20, considerando uma jornada média de 43 horas semanais e 7.205 profissionais movimentados entre junho de 2025 e maio de 2026.

A profissão está presente em indústrias químicas e petroquímicas, fábricas de alimentos e bebidas, usinas de energia, siderúrgicas e empresas de automação e manutenção industrial.

Cursos Técnicos. (Foto: Divulgação)

4. Técnico mecânico naval

Esse profissional trabalha com montagem, testes e manutenção de máquinas e sistemas mecânicos de embarcações. Entre os equipamentos envolvidos estão motores, bombas, tubulações e sistemas auxiliares.

A remuneração média nacional é de R$ 4.500,99, com teto estimado em R$ 7.938. O levantamento considera 340 movimentações de trabalhadores contratados sob o regime CLT entre junho de 2025 e maio de 2026.

Estaleiros, oficinas navais, empresas de transporte marítimo e prestadoras de serviços de manutenção estão entre os principais campos de atuação.

5. Técnico em soldagem

O técnico em soldagem planeja e supervisiona processos de união de materiais, incluindo técnicas como TIG, MIG, MAG, eletrodo revestido, arco submerso e plasma. Também pode acompanhar testes destinados a avaliar a qualidade das soldas.

A média salarial é de aproximadamente R$ 4.320. Em funções relacionadas, como técnico de tubulação e técnico de caldeiraria, as médias podem chegar a valores próximos de R$ 4.945, conforme a especialização.

A profissão aparece em segmentos como indústria metalmecânica, construção pesada, setor automotivo, fabricação de estruturas e petróleo e gás.

6. Técnico em geotecnia

O técnico em geotecnia participa de estudos relacionados ao comportamento de solos e rochas. O trabalho pode envolver atividades de campo e apoio a engenheiros e geólogos em sondagens, escavações, aterros, contenções e fundações.

A média salarial indicada é de aproximadamente R$ 3.878, calculada a partir de uma amostra de 321 profissionais.

As oportunidades estão principalmente em construtoras, laboratórios de solos, empresas de sondagem, mineradoras e projetos de infraestrutura, além de obras rodoviárias e barragens.

7. Técnico em manutenção de aeronaves

O profissional de manutenção aeronáutica realiza inspeções, reparos e testes em componentes mecânicos, elétricos e eletrônicos de aviões e helicópteros.

A média salarial é de R$ 3.789,03 para uma jornada de 42 horas semanais. O cálculo considera 3.642 registros de profissionais CLT entre junho de 2025 e maio de 2026.

A formação técnica em manutenção aeronáutica tem carga mínima de 1.200 horas, segundo o Catálogo Nacional de Cursos Técnicos. Há habilitações relacionadas a aviônicos, célula e grupo motopropulsor. Algumas atividades também dependem de habilitação profissional conforme as regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

8. Técnico em eletromecânica

O técnico em eletromecânica reúne conhecimentos de eletricidade, mecânica e automação para instalar, operar e fazer a manutenção de máquinas e sistemas industriais.

A média salarial é de R$ 3.620. Apesar de não estar entre as ocupações com maior remuneração da lista, a carreira se destaca pelo volume de registros: foram 15.140 movimentações de trabalhadores CLT consideradas no levantamento.

O profissional pode encontrar oportunidades em indústrias, empresas de energia, prestadoras de serviços de manutenção e fabricantes de equipamentos.

Mercado para profissionais técnicos

O mercado formal brasileiro abriu 921,6 mil postos de trabalho no primeiro semestre de 2026, segundo dados do Novo Caged. Em junho, a indústria registrou saldo positivo de 14.438 vagas, enquanto a construção abriu 14.136 postos formais.

Os números, porém, não significam que todas as profissões técnicas tenham a mesma demanda. A oferta de vagas depende de fatores como investimentos, concentração industrial, características econômicas de cada região e disponibilidade de profissionais qualificados.

Por isso, além da média salarial, é importante considerar a quantidade de vagas disponíveis e o número de profissionais que atuam em cada ocupação.

No levantamento, por exemplo, o salário do desenhista técnico naval é o maior, mas a média foi calculada com uma amostra de apenas 66 movimentações. Já a eletromecânica apresentou mais de 15 mil registros.

Para escolher uma formação, também é necessário verificar a demanda profissional na região, a grade curricular, a estrutura oferecida pela instituição e a possibilidade de realizar atividades práticas.

Os dados mostram que uma formação técnica pode levar a diferentes setores da economia, mas a remuneração não deve ser analisada isoladamente. Experiência, especialização, localização e características da ocupação também influenciam as possibilidades de contratação e os ganhos ao longo da carreira.

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