Por Mariana Brasil e Anna Júlia Lopes
(Folhapress) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta quinta-feira (3) o STF (Supremo Tribunal Federal) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) pela resolução da investigação sobre o Banco Master. O petista disse ainda que todos que estão sob suspeita devem ser investigados.
“Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem com um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”, disse o petista em declaração institucional em vídeo gravado no seu gabinete no Palácio do Planalto.
Foi a primeira manifestação pública do presidente sobre o assunto após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que mostra uma troca de mensagem do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, com um interlocutor identificado como o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Sem citar nomes, Lula afirmou ainda que chegou a hora de pessoas que atuam na vida colocarem o compromisso público à frente de seus interesses pessoais.
“A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que nossos sistemas político e judiciário precisam de reformas profundas. É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. O povo brasileiro tem o direito de saber a verdade”, concluiu o presidente.
O vídeo foi divulgado nas redes sociais de Lula nesta noite, dias após as revelações sobre Vorcaro e Moraes.
Na conversa entre os dois, o empresário pergunta ao magistrado se ele deveria deixar o país dois dias antes de ele ser preso pela Polícia Federal, em novembro de 2025.
A divulgação das mensagens desencadeou uma crise sem precedentes na corte. Às vésperas das eleições, o tribunal já vinha recebendo críticas de candidatos, com promessas de impeachment de alguns dos ministros do Supremo.
O caso Master está sob a relatoria do ministro André Mendonça. O magistrado foi o responsável por pedir à PF um relatório com os diálogos entre Vorcaro e Moraes e por derrubar o sigilo do documento na terça (1º).
No mesmo dia, Lula conversou com o presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, sobre o caso.
O petista também foi procurado pelo decano da corte, Gilmar Mendes, que cobrou do presidente apoio por parte do governo federal à cúpula da PF. O magistrado disse a Lula que o episódio envolvendo Mendonça não era só um problema do STF, mas também do Executivo, já que se tratava de uma intervenção indevida no trabalho da corporação.
Na quarta (2), o presidente discutiu com aliados e definiu que eventuais manifestações sobre o caso seriam na linha de que ninguém está acima da lei.