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A mãe dos irmãos Allan Michael, 4 anos, e Ágatha Isabelly, 6 anos, desaparecidos desde janeiro em Bacabal, no Maranhão, realizou um exame de DNA para verificar se o filho está entre os 163 menores resgatados em uma operação nos Estados Unidos. A suspeita surgiu após a família ter acesso à imagem de uma criança divulgada pelas autoridades da Flórida e identificar semelhanças físicas com Allan. A informação foi confirmada pela advogada da família, Nathaly Moraes, em coletiva.

Clarice Cardoso esteve nesta quarta-feira (9) na sede da Polícia Federal, em São Luís, para pedir ajuda na identificação do menino. Ela foi procurada pela Interpol depois que a possibilidade de Allan estar nos Estados Unidos ganhou força.

Na imagem que circula na internet, há um menino ferido, aparentemente debilitado e usando um respirador enquanto está deitado em uma cama. Para a mãe de Allan, diversos traços físicos são semelhantes aos do filho desaparecido. “Não dá para ter muita certeza, mas cada característica da criança é igual à do Michael”, afirmou.

Apesar da esperança da família, ainda não há confirmação de que o menino encontrado seja Allan. A identificação dependerá da comparação do material genético. Clarisse afirma que está confiante de que as crianças estejam vivas.

“Eu sempre falei nas minhas entrevistas que o coração de mãe não engana. E o meu sempre fala que meus filhos estão vivos. Eu tenho essa fé que meus filhos vão ser encontrados.”]

Os irmãos Allan Michael, 4 anos, e Ágatha Isabelly, 6 anos - Foto: Divulgação
Os irmãos Allan Michael, 4 anos, e Ágatha Isabelly, 6 anos – Foto: Divulgação

Material genético

Segundo informações repassadas à família, a ausência de dados genéticos cadastrados das crianças encontradas dificulta a identificação. Por isso, o confronto do DNA poderá ser fundamental para confirmar ou descartar a hipótese.

“Os filhos de Clarice nunca tiraram identidade, então não havia na base de dados digitais nenhum dado relativo às crianças. E as crianças que estão sem ser identificadas lá não foram identificadas pela ausência de dados genéticos cadastrados. Então, a única possibilidade de saber de fato é confrontando o material genético”, destacou Nathaly.

Ao Portal G1, a Polícia Federal afirmou que a coleta de material genético foi realizada pelo Setor Técnico-Científico da instituição e será encaminhada nas próximas horas ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília. No local, será feito o perfil genético da amostra, que será inserido no Banco Nacional de Perfis Genéticos e ficará disponível para possíveis comparações pela Interpol.

O órgão solicitou a inclusão dos irmãos no sistema de Difusão Amarela da Interpol, mecanismo utilizado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas em contexto internacional.

O governador do Maranhão, Carlos Brandão, porém, declarou que as crianças já estavam incluídas na lista da organização há meses.

Nas redes sociais, o governador informou que o caso passou a contar com a colaboração da Interpol após uma articulação da Polícia Civil com a Polícia Federal e outras instituições, com a intenção de fortalecer as buscas também fora do país.

Brandão afirmou que as autoridades continuam apurando o desaparecimento e que novas informações são encaminhadas às equipes responsáveis pela investigação para análise. A população pode contribuir com as buscas por meio do Disque-Denúncia, no telefone 181.

E Ágatha?

Enquanto a família aguarda a identificação do menino nos Estados Unidos, as buscas por Ágatha Isabelly seguem em outra frente de investigação.

Segundo a advogada da família, “há outra linha de investigação que leva à localização de Agatha em outro local, cujas informações não podem ser repassadas nesse momento”.

Não há confirmação oficial de que Ágatha também tenha sido localizada nos Estados Unidos.

Cães farejadores apontaram passagem de crianças desaparecidas por casa abandonada – Foto: SSP/Divulgação

Crianças desapareceram em janeiro

Allan Michael e Ágatha Isabelly desapareceram em 4 de janeiro, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. Na ocasião, os irmãos saíram para brincar com o primo Anderson Kauã, 8 anos, e sumiram sem deixar vestígios. Anderson foi encontrado no dia 7 de janeiro e passou a auxiliar nas buscas.

Com o passar do tempo, os esforços foram redirecionados para a investigação policial, a cargo da Polícia Civil do Maranhão, que não divulga detalhes sobre o andamento da apuração, mas confirma que nenhuma hipótese foi descartada. Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Maurício Ribeiro Martins, o inquérito policial já ultrapassa 200 páginas.

Entre as hipóteses consideradas pelas autoridades ao longo das investigações estão a possibilidade de que as crianças estejam vivas em outro local, rapto ou sequestro, afogamento ou ataque de animal silvestre.

Equipe de buscas dos Bombeiros – Foto: Bombeiros MA

Veja abaixo uma linha do tempo do caso:

4 DE JANEIRO

Os irmãos Ágatha Isabelly, 6, e Allan Michael, 4, e o primo deles, Anderson Kauã, 8, foram vistos pela última vez na tarde de 4 de janeiro, um domingo, quando saíram para brincar na comunidade de São Sebastião dos Pretos, no interior do município. Dias depois, Anderson disse às autoridades ter entrado na mata em busca de um pé de maracujá.

7 DE JANEIRO

O menino Anderson Kauã foi encontrado por carroceiros próximo a uma estrada, a cerca de 4 km da comunidade de São Sebastião dos Pretos. Ele estava fragilizado, recebeu atendimento imediato do Samu e foi internado no Hospital Geral de Bacabal.

Com o aumento da equipe de buscas para mais de 400 pessoas, uma segunda base foi montada próxima de onde Anderson Kauã foi encontrado, e um gerador foi transportado para manter as atividades noturnas.

11 DE JANEIRO

Peças de roupas infantis foram localizadas na mata. De acordo com a Polícia Civil, no entanto, familiares confirmaram que elas não pertenciam a nenhuma das crianças.

12 DE JANEIRO

Início da troca gradual de integrantes da equipe que atuavam havia uma semana no local, desde o início das buscas. O número de pessoas em campo nas buscas era de cerca de 500, dentre bombeiros, policiais, outras forças de segurança e voluntários.

15 DE JANEIRO

As equipes identificaram uma casa abandonada e parcialmente coberta por vegetação, onde as crianças estiveram após desaparecerem e onde procuraram abrigo, de acordo com o primo, o menino Anderson.

Cães farejadores identificaram traços da presença delas no local, sendo o vestígio mais próximo encontrado pelas autoridades até o momento. As autoridades acreditam que as crianças tenham passado uma noite no local, que fica a cerca de 50 metros do rio Mearim.

As equipes também fizeram mergulhos no Lago Limpo, que fica a três quilômetros da comunidade de São Sebastião dos Pretos, e ampliaram o trabalho de busca pelas margens do rio Mearim.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do estado, mais de 600 pessoas estavam mobilizadas na operação.

18 DE JANEIRO

Início das atividades de varredura do rio Mearim com apoio da Marinha, com o uso de um equipamento, chamado sonar de varredura lateral (side scan sonar), capaz de gerar imagens que indicam se há objetos ou algum tipo de anomalia embaixo d’água.

20 DE JANEIRO

Anderson Kauã recebeu alta do Hospital Geral, após permanecer internado por 14 dias. O menino acompanhou equipes policiais e indicou o trajeto que fez com os primos até a casa abandonada.

22 DE JANEIRO

Em coletiva de imprensa, o chefe da Capitania dos Portos do Maranhão, Ademar Augusto Simões Júnior, anunciou que nada foi encontrado nas varreduras realizadas ao longo de 19 km do leito do rio Mearim.

O secretário estadual de segurança pública, Maurício Ribeiro Martins, disse que os esforços passariam a ser redirecionados para a investigação feita pela Polícia Civil. As buscas em campo e ao longo do rio seriam mantidas, mas com contingente menor. Uma das bases de apoio foi desmobilizada.
Segundo Martins, o inquérito policial já tinha mais de 200 páginas.

25 DE JANEIRO

Cinco dias após receber alta, Anderson Kauã retornou para casa em São Sebastião dos Pretos. O retorno foi acompanhado pelo conselho tutelar e por agentes da prefeitura.

31 DE JANEIRO

O prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB), confirmou a redução do contingente de buscas, e disse que cerca de 20 pessoas atuavam na área de mata.

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