ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

 

 

Por Cleber Lourenço

 

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, acionou o Escritório Central Nacional da Interpol no Brasil, vinculado à Polícia Federal, para pedir cooperação penal internacional sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O ofício, obtido pela coluna, solicita que a Polícia Federal utilize canais de cooperação internacional para apurar possível lavagem de dinheiro, ocultação de beneficiários finais e triangulação transnacional de recursos envolvendo Brasil, Estados Unidos, Holanda e Hungria. O documento foi encaminhado ao diretor-geral da PF, responsável pelo Escritório Central Nacional da Interpol no país.

Na representação, Lindbergh sustenta que há indícios de utilização de estruturas societárias, financeiras e contratuais no exterior para ocultar a origem, o destino e os reais beneficiários dos valores ligados ao filme.

O parlamentar cita reportagem da Agência Pública segundo a qual Eduardo Bolsonaro e a produtora Go Up Entertainment procuraram uma empresa com atuação na Hungria e na Holanda para movimentar recursos destinados ao longa. Segundo a apuração, houve tentativa de contratação de uma estrutura de escrow account, espécie de conta de custódia utilizada em operações internacionais.

A operação envolveria a Freeway Cam B.V., empresa de origem holandesa com endereço principal em Budapeste, na Hungria. Uma minuta contratual datada de fevereiro de 2024 descreveria Eduardo Bolsonaro como “financiador” do projeto.

O documento também menciona uma ordem de pagamento de US$ 57,5 mil para a New Path Pictures Inc., sediada na Califórnia, por intermédio da Stichting Freeway Custody, fundação registrada na Holanda e ligada ao grupo Freeway. Segundo o ofício, a existência de estruturas voltadas à preservação do anonimato de investidores reforça a necessidade de identificar beneficiários finais, origem dos recursos e finalidade econômica das operações.

A representação conecta ainda o caso ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, investigado em apurações envolvendo suspeitas de fraudes financeiras. Segundo o documento, reportagens apontam que Vorcaro teria realizado aportes relacionados ao filme por meio de estrutura financeira sediada nos Estados Unidos.

O texto também cita reportagem do Intercept Brasil segundo a qual mensagens indicariam atuação de Eduardo Bolsonaro na orientação do envio aos Estados Unidos de dinheiro negociado por Flávio Bolsonaro com Vorcaro.

No pedido, Lindbergh afirma que a investigação deve apurar se a operação cinematográfica funcionou como instrumento de circulação, estratificação ou integração de recursos, inclusive mediante transferências internacionais, contratação de prestadores estrangeiros, utilização de contas de custódia e possível uso dos valores para despesas pessoais, políticas, jurídicas ou comunicacionais no exterior.

Entre as providências solicitadas está o acionamento dos escritórios centrais da Interpol nos Estados Unidos, Holanda e Hungria para obtenção de registros societários, informações bancárias, contratos de custódia, ordens de pagamento, relatórios de prevenção à lavagem de dinheiro e identificação de beneficiários finais.

O deputado também pede apoio do Interpol Financial Crime and Anti-Corruption Centre, estrutura da organização voltada a crimes financeiros e recuperação de ativos.

Outro ponto do ofício solicita avaliação sobre eventual emissão de Silver Notice ou instrumento semelhante da Interpol, mecanismo voltado ao rastreamento internacional de ativos suspeitos.

Além disso, Lindbergh pede preservação urgente de documentos, contratos, registros financeiros, comunicações eletrônicas, comprovantes de transferências internacionais e relatórios contábeis relacionados às operações.

Segundo o parlamentar, há risco de dissipação de ativos, encerramento de contas, alteração de estruturas societárias e destruição de registros eletrônicos.

A iniciativa não representa abertura automática de investigação internacional, mas formaliza pedido para que a Polícia Federal utilize mecanismos de cooperação policial internacional e rastreamento financeiro.

O caso do filme Dark Horse passou a ganhar novas dimensões após reportagens apontarem conexões entre empresários, fundos internacionais, estruturas de custódia no exterior e integrantes da família Bolsonaro.

O foco do pedido apresentado à Interpol é seguir o caminho do dinheiro, identificar a origem real dos recursos e verificar se houve utilização de estruturas internacionais para ocultação patrimonial ou lavagem de dinheiro.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail