Por Gabriel Gomes
Os deputados federais Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF) indicaram R$ 1,15 milhão em emendas parlamentares para a Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina Ferreira da Gama, empresária que também é sócia da Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A relação consta na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da investigação da Polícia Federal que apura suspeitas envolvendo recursos públicos e entidades ligadas a Karina Gama.

A Go Up é responsável pela produção de Dark Horse, que tem o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como produtor executivo. Segundo a investigação, a empresa recebeu recursos de pessoas e empresas relacionadas ao núcleo investigado.
No caso das emendas, Pollon indicou R$ 1 milhão e Bia Kicis, R$ 150 mil para a ANC. Os recursos seriam destinados ao projeto “Heróis Nacionais”.
Os valores, contudo, não chegaram a ser repassados à entidade, devido a obstáculos técnicos e normativos para a formalização da parceria. A CGU registrou que, até 11 de junho deste ano, não constava o recebimento de recursos federais pela ANC.
A PF afirma ainda que a ANC compartilha integrantes, procuradores e administradores com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que recebeu R$ 2 milhões em emendas de Mario Frias e está no centro das suspeitas investigadas. Segundo a representação policial, ANC e ICB integram uma mesma estrutura de gestão e execução de projetos financiados com recursos públicos.
A decisão também chama atenção para a origem das emendas. Pollon foi eleito por Mato Grosso do Sul e Bia Kicis pelo Distrito Federal, mas os recursos foram destinados a São Paulo. O documento aponta aparente desconformidade com a exigência de vinculação federativa estabelecida pelo STF para emendas parlamentares.