Dino assume relatoria de investigação do Wi-Fi da Prefeitura de SP com produtora de Dark Horse

Ministro determinou que inquérito paulista ligado ao ICB seja enviado ao STF após PF apontar conexão com investigação sobre emendas de Mário Frias
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Por Cleber Lourenço

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que uma investigação da Polícia Civil de São Paulo envolvendo o contrato de Wi-Fi da Prefeitura da capital com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) seja retirada da Justiça paulista e remetida ao Supremo. A decisão foi tomada após a Polícia Federal apontar conexão entre o caso e uma investigação que envolve recursos de emendas do deputado Mário Frias (PL-SP) e a Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse.

Dino avocou o inquérito estadual e também a medida cautelar de busca e apreensão vinculada à investigação. Na prática, os procedimentos passam a tramitar no STF sob sua relatoria. O ministro determinou que, na quinta-feira (10), depois do cumprimento das buscas autorizadas, a Justiça de São Paulo enviasse a íntegra dos dois processos ao Supremo no prazo de 48 horas.

“Em face da conexão até aqui demonstrada, avoco a esta relatoria os autos”, determinou Dino.

A investigação paulista apura negócios envolvendo o ICB, entidade que firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo para implantação e manutenção de pontos de acesso gratuito à internet em comunidades periféricas. Segundo os documentos enviados ao STF, o contrato foi inicialmente estimado em R$ 108 milhões e posteriormente ampliado por aditivos e emendas.

A Polícia Civil paulista já havia realizado, em junho, uma operação que atingiu o ICB, a empresária Karina Gama e empresas relacionadas. O material produzido nessa apuração despertou o interesse da Polícia Federal, que pediu o compartilhamento das provas em 9 de julho. A autorização para o envio dos dados foi concedida em 21 de agosto.

PF apontou conexão entre as investigações

A mudança de instância ocorre porque a PF identificou pontos de contato entre a investigação conduzida em São Paulo e outro inquérito aberto por determinação de Dino para apurar a destinação de emendas parlamentares federais.

Essa segunda investigação foi instaurada em 23 de junho e envolve emendas destinadas pelo deputado Mário Frias ao ICB. A entidade recebeu R$ 2 milhões provenientes de duas emendas do parlamentar.

Ao analisar documentos e movimentações financeiras, a PF identificou ainda a Go Up Entertainment, ligada a Karina Gama e responsável pela produção de Dark Horse, entre as empresas que receberam recursos de pessoas e companhias relacionadas ao núcleo investigado.

Em um dos pontos da apuração, os investigadores levantam a possibilidade de que recursos ligados a contratos do ICB tenham circulado por empresas investigadas antes de chegar à Go Up. A PF cita especificamente transferências realizadas pela NTT Brasil, empresa administrada por Heric Dias, para a produtora.

A conclusão apresentada ao STF é de que as apurações estadual e federal não tratam de fatos completamente independentes. Para a PF, há uma conexão probatória entre elas, com pessoas e empresas aparecendo nos dois conjuntos de investigação.

Dino acolheu esse entendimento. Na decisão, afirmou haver uma “provável conexão” entre o inquérito paulista e a investigação que já tramita no Supremo. Segundo o ministro, diante da presença de autoridade com foro por prerrogativa de função, cabe ao STF receber o procedimento e decidir posteriormente se parte dele deverá ou não ser desmembrada.

Com a decisão, a investigação sobre o contrato de Wi-Fi da Prefeitura de São Paulo passa a integrar o conjunto de procedimentos sob responsabilidade de Dino que apuram as relações entre o ICB, empresas contratadas ou relacionadas à entidade, emendas parlamentares e movimentações financeiras que chegaram à produtora de Dark Horse.

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