O empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, presta depoimento para a Procuradoria-Geral da República nesta quarta-feira, 23. Ele fechou colaboração premiada homologada pelo ministro André Mendonça e, segundo o que contou à investigadores, sua função junto a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, era “gerar” dinheiro vivo. Ao todo, em cerca de dois anos e meio, ele teria arrumado para o banqueiro um total de R$ 1,3 bilhão em dinheiro vivo que , posteriormente, era entregue em malas para Vorcaro e sua equipe em malas de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão. O empresário também confirmou ter feito sete repasses para o fundo Havengate, administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro, Paulo Calixto.
Freixo Junior era dono da Entre Investimentos e Participações, Mineiro. Na PGR, o acordo foi assinado em 8 de agosto e já era negociado há cerca de quatro meses, antes mesmo da publicação do áudio de Flávio Bolsonaro para Vorcaro cobrando os repasses que seriam para o custeio do filme Dark Horse. Até o momento, a versão do empresário é de que ele só fez os repasses ao fundo a pedido de Vorcaro sem saber qual era a destinação dos valores.
O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), homologou a delação em 9 de setembro. A decisão está sob sigilo. A expectativa é de que Freixo Junior precise de três a quatro sessões de depoimentos para gravar todos os relatos dos crimes que vai delatar agora que já entregou os anexos e também fará a entrega de documentos.
A coluna procurou o advogado Marco Petrelluzzi, que faz a defesa de Freixo, mas ele disse que não poderia se manifestar. A defesa de Daniel Vorcaro pediu acesso ao expediente e a nulidade da homologação do acordo, mas ainda não teve retorno do relator do caso no STF.
Segundo o delator, o total de R$ 1,3 bilhão era entregue em malas como modo de pagar pessoas indicadas por Vorcaro. Os valores enviados por Freixo Junior foram feitos a partir da Entre para o Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas e usado para financiar “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). No início de setembro, o blog da jornalista Andrea Sadi tinha revelado que o Mineiro, como Freixo Junior é conhecido, relatou sete repasses ao fundo entre janeiro e setembro de 2025. Os repasses se deram por meio de “subscrição de cotas”, que somaram US$ 12,333 milhões. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência nega irregularidades e diz que pediu o dinheiro para o filme. No entanto, prometeu uma prestação de contas dos valores em maio e nunca entregou.
Como funcionava a “geração” de dinheiro
Os pedidos chegavam por WhatsApp, feitos primeiro por Vorcaro e depois por Zettel e por Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro. Mineiro então acionava operadores, também por WhatsApp, e fazia transferências bancárias para empresas indicadas por eles. Uma dessas empresas era uma distribuidora de combustíveis que, segundo o delator, já apareceu na Operação Carbono Oculto. Os operadores obtinham as cédulas com contatos no Brás, no centro de São Paulo, e no setor de combustíveis. Depois, levavam o dinheiro à sede da Entre, na rua Iguatemi, no Itaim Bibi.
As entregas eram combinadas com Vorcaro ou alguém apontado por ele para o mesmo dia, para evitar guardar o dinheiro. Segundo o relato, elas aconteciam no estacionamento subterrâneo do prédio da Entre ou na garagem do edifício onde Zettel morava, no mesmo bairro. Pelo serviço, os operadores ficavam com 4% dos valores e Mineiro, com 1%.