O depoimento da síndica do prédio onde a estudante de direito Isabelle Caracristi, 22 anos, foi encontrada morta em Fortaleza, em 13 de setembro, passou a integrar o conjunto de elementos analisados pela Polícia Civil na investigação do caso.
A administradora do condomínio afirmou que o namorado da jovem, o advogado João Munhoz Neto, 34 anos, pediu que o porteiro verificasse as lixeiras do prédio, na tentativa de encontrar o celular da jovem após seu desaparecimento. Segundo o relato, ele também teria impedido a entrada de familiares de Isabelle no edifício.
As declarações foram dadas durante reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (27). O relato se refere ao dia seguinte à morte da universitária e ocorreu poucas horas antes de a mãe e um tio da jovem chegarem ao condomínio em busca de informações.
De acordo com a síndica, o namorado teria procurado informações sobre o paradeiro do aparelho e solicitado que a equipe do condomínio ajudasse nas buscas. A família de Isabelle também teria tentado entrar no prédio, mas foi impedida.
Em declaração nas redes sociais, a mãe de Isabelle afirmou que não recebeu uma ligação direta do genro comunicando a morte da filha.
“Ele não me ligou. Eu estava dormindo. Quando eu vejo, foi uma ligação de um número desconhecido. Se fosse ele me ligando, o número era conhecido. Eu teria imediatamente atendido. Eu tive que ir lá para saber da morte da minha filha”, afirmou.
Comportamento de João chamou atenção
As suspeitas sobre João Munhoz Neto também envolvem o que ocorreu depois da morte de Isabelle. De acordo com a investigação, o namorado retornou ao condomínio no dia seguinte ao crime e teria ido ao local para tentar localizar o celular da estudante. A polícia também identificou outras movimentações consideradas relevantes para a apuração.
João ficou foragido desde a noite da morte da jovem, sendo localizado apenas no dia 22 de setembro, onde foi detido em um condomínio no bairro Aldeota, Fortaleza (CE).
Ainda de acordo com a polícia, após o desaparecimento de Isabelle, o apartamento do casal passou por uma limpeza, objetos foram retirados e o imóvel chegou a ser colocado à venda. Esses fatos foram incluídos entre os elementos apresentados pelas autoridades ao solicitar a prisão do advogado.
Morte de Isabelle
Isabelle foi encontrada morta na noite de 13 de setembro, no pátio do condomínio onde morava com o namorado e familiares dele, no bairro Aldeota.
Segundo a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), a jovem apresentava lesões no corpo “compatíveis com o impacto contra o solo”. Exames laboratoriais não identificaram substâncias de interesse toxicológico.
Dias antes da morte, Isabelle havia relatado à mãe que sentia dores no pescoço e chegou a passar o fim de semana com ela. Segundo a professora Isorlanda Caracristi, mãe da jovem, Isabelle recebia muitas mensagens do namorado, que ela descreveu como controlador.
No domingo à noite, Isabelle enviou duas mensagens para a mãe. Em uma, pediu que ela verificasse uma comida deixada na airfryer. Na outra, escreveu: “Mãe, eu te amo”.
Depois disso, a mãe deixou de receber respostas. Ela tentou entrar em contato com a filha e, posteriormente, com João Munhoz.
Isabelle cursava o segundo semestre de Direito. Ela havia estagiado por cerca de 20 dias em um escritório de advocacia de Fortaleza, onde conheceu João. Segundo a empresa, a jovem pediu desligamento em agosto por “razões de ordem pessoal”.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que busca entender acontecimentos que antecederam a morte da estudante. Os investigadores analisam centenas de imagens registradas pelas câmeras de segurança do condomínio, além dos dados e conteúdos dos celulares dos envolvidos no caso.
A investigação pretende esclarecer as circunstâncias da morte da estudante e apurar suspeitas de violência psicológica e de possíveis tentativas de ocultação ou destruição de provas, hipóteses levantadas pelos investigadores.
A defesa de João Munhoz Neto nega as acusações de comportamento controlador e abuso psicológico. Os advogados afirmam que o relacionamento era recente e que Isabelle tinha liberdade para decidir quando ficaria ou não no apartamento do namorado.