Desemprego fica em 5,3% e tem menor taxa até agosto na série histórica

Renda se mantém relativamente estável em R$ 3.777 por mês, diz IBGE
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Por Leonardo Vieceli

(Folhapress) – A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,3% no trimestre móvel até agosto, após marcar 5,6% nos três meses encerrados em maio, que servem de base de comparação, apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta terça-feira (29).

O indicador é o menor para o intervalo até agosto na série histórica da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012.

Analistas do mercado financeiro esperavam desemprego de 5,3% para o período mais recente, segundo a mediana das projeções coletadas pela agência Bloomberg.

A taxa de desocupação já estava em 5,3% no trimestre móvel até julho. O IBGE, contudo, evita a comparação direta entre intervalos com meses repetidos. É o caso dos encerrados em julho e agosto.
A pesquisa do instituto abrange o mercado de trabalho formal, com carteira assinada ou CNPJ, e o setor informal, sem esses registros.

Nas estatísticas oficiais, uma pessoa de 14 anos ou mais que não tem emprego precisa estar à procura de oportunidades para ser considerada desempregada. Não basta só não trabalhar.

Analistas afirmam que o mercado de trabalho ainda mostra força, mas dá sinais mais claros de desaceleração. A perda de ritmo ocorre sob juros altos para conter a inflação no país.

Esta é a última divulgação da Pnad antes do primeiro turno das eleições presidenciais, agendado para o próximo domingo (4).

Como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo, o Brasil chega ao pleito com um cenário de emprego e renda diferente do que se viu em 2022. Os dados mostram recuperação dos indicadores de lá para cá, mas não eliminam os desafios para os próximos quatro anos.

Nesse sentido, especialistas citam informalidade, expansão do trabalho por aplicativos, pejotização, efeitos da IA (inteligência artificial) sobre vagas iniciais, corrosão da Previdência com longevidade acelerada e descompasso entre a formação profissional e o que o mercado necessita.

Conforme analistas, o desemprego baixo para os padrões brasileiros reflete uma combinação de fatores como o desempenho positivo da atividade econômica nos últimos anos.

A economia seguiu com medidas de estímulo do governo Lula (PT) antes das eleições, em oposição ao aperto dos juros altos.

Outra questão citada por especialistas é a mudança demográfica em curso no país. Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de buscar ocupação.

Isso reduz a pressão da procura sobre a taxa de desemprego, mas desafia o sistema previdenciário, porque a demanda por aposentadorias tende a crescer.

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