Por Nathalia Garcia
(Folhapress) – A dívida bruta do Brasil seguiu em alta e atingiu 82,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em agosto, o maior nível em cinco anos. No mês, houve elevação de 0,3 ponto percentual. Os dados foram divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (30).
A dívida bruta -que compreende governo federal, INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e governos estaduais e municipais- é um dos principais indicadores econômicos observados pelos investidores na hora de avaliar a saúde das contas públicas do país.
A comparação é feita em relação ao PIB para mostrar se a dívida do governo é sustentável. A trajetória da dívida bruta é hoje um dos focos de preocupação do mercado financeiro.
Avanço
No terceiro mandato do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a dívida bruta subiu mais de 11 pontos percentuais. Em dezembro de 2022, o indicador estava em 71,68% do PIB.
Neste ano, o avanço acumulado do indicador de endividamento é de 4,2 pontos percentuais. O crescimento do endividamento foi influenciado, sobretudo, pelos gastos com juros. Hoje, a taxa básica (Selic) está em dois dígitos, fixada em 13,75% ao ano, e vem tendo redução a conta-gotas.
A dívida líquida, que desconta os ativos do governo, teve aumento de 0,1 ponto percentual no mês e chegou a 69,3% do PIB (saldo de R$ 9,2 trilhões). No acumulado do ano, houve avanço de 4 pontos percentuais.
Ainda segundo dados do BC, o setor público consolidado brasileiro registrou déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto.
O montante engloba os resultados do governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social), governos estaduais e municipais e de empresas estatais (exceto Petrobras e bancos públicos).
O resultado deficitário foi puxado pelas contas do governo central, com déficit de R$ 14,7 bilhões. Estados e municípios, por sua vez, tiveram resultado superavitário de R$ 2,7 bilhões e as empresas estatais registraram superávit de R$ 2 bilhões.