Ex-deputado bolsonarista defende projeto que tiraria de Aparecida título de padroeira do Brasil

"Que mal tem um projeto de lei desse que foi da minha autoria levado em plenário?", questiona Victório Galli.
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O ex-deputado federal e pastor Victório Galli defendeu o projeto de lei de sua autoria que propunha retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Galli, que foi assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, fez a afirmação em entrevista ao jornalista Lázaro Thor, publicada no site UOL.

“Que mal tem um projeto de lei desse que foi da minha autoria levado em plenário? A Casa dos Deputados é uma casa de ressonância do povo, é onde se discute, é onde se fala, por isso que é parlamento”, disse o ex-parlamentar, que é candidato a deputado na eleição deste ano. “Parlamento vem de parlamento, é de falar, é de discutir as coisas. Então, eu não vejo nada de mal numa questão dessa não”.

Galli apresentou o Projeto de Lei 2.623/2007 em dezembro de 2007 que alteraria a Lei 6.802/1980, que estabelece o feriado nacional de 12 de outubro, substituindo o termo “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. O argumento principal é que o Estado é laico. A proposta foi arquivada em 2008.

O texto voltou a ser discutido depois que postagens nas redes sociais e um programa de TV comentaram a preocupação de setores católicos com a possível volta do projeto à Câmara caso Flávio Bolsonaro seja eleito. O candidato negou qualquer intenção nesse sentido.

Mesmo com a repercussão negativa o pastor afirma não se arrepender da proposta, já que a lei que declara Nossa Senhora Aparecida como padroeira é, na sua opinião, inconstitucional.

“O que eu fiz foi corrigir essa inconstitucionalidade, inclusive o Arthur Lira [do PP, ex-presidente da Câmara], relator do projeto, concordou comigo que é inconstitucional”, afirmou Galli na entrevista publicada no UOL. “Ele [Lira] me disse: ‘Victório, já tem uma jurisdição no TSE e se for mexer nisso vai dar muito pano para a manga’. Então foi arquivado, foi arquivado a meu pedido”.

O ex-deputado e pastor discordou da afirmação feita por Flávio Bolsonaro de que , se eleito, “decretará que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Para ele, isso só é possível quando o Estado é teocrático, “mas o nosso Estado é democrático, então não pode fazer isso”.

Galli afirmou que Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro nunca trataram da retirada do título da padroeira.

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