As viagens de Flávio e Eduardo Bolsonaro ao Bahrein após avanço de investigações no STF

A visita mais recente de Eduardo foi na semana passada, no dia 8 de outubro
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Levantamento feito pela coluna mostra que Eduardo Bolsonaro esteve ao menos nove vezes no Bahrein desde 2019. A visita mais recente foi na semana passada, no dia 8 de outubro, no Palácio Real de Manama, onde ele foi recebido pelo príncipe herdeiro e primeiro-ministro do país, Salman bin Hamad Al Khalifa.

As fotos foram divulgadas pelo gabinete do príncipe um dia depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandar prender o ex-deputado devido à sua condenação no STF e cancelar seus passaportes brasileiros.

Eduardo fez o mesmo movimento no final do ano passado, quando foi denunciado, e, em maio, esteve lá nos mesmos dias em que o deputado federal Mário Frias (PL-SP), logo depois da revelação do caso Dark Horse.

Quatro das nove viagens de Eduardo ocorreram durante o governo de Jair Bolsonaro. Três das mais recentes coincidem com momentos de pressão judicial sobre Eduardo ou aliados: em outubro de 2025, logo após a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR); em maio de 2026, ao lado do deputado Mário Frias, então alvo de apuração no STF sobre emendas ligadas ao filme Dark Horse; e agora, com a condenação já definitiva.

O Bahrein também aparece no caso das joias recebidas pelo governo Jair Bolsonaro. Segundo a Polícia Federal, um relógio Patek Philippe investigado entre os presentes pode ter sido entregue ao ex-presidente na visita oficial de novembro de 2021, quando ele inaugurou a embaixada brasileira em Manama. Eduardo o acompanhava.

Irmãos Bolsonaro no Bahrein

Em 31 de janeiro de 2026, Eduardo chegou ao Bahrein com o irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), então pré-candidato à Presidência. A comitiva incluía os deputados Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Rodrigo Valadares (União Brasil-SE), o blogueiro Paulo Figueiredo e Paulo Guedes Landim. O grupo ficou no país até o início de fevereiro.

A agenda incluiu um festival de corridas de cavalos patrocinado pela família real, uma visita ao Parlamento, uma reunião no Ministério do Interior e um encontro com o príncipe herdeiro no palácio. Os brasileiros também foram recebidos no estábulo de Nasser bin Hamad Al Khalifa, filho do rei e conselheiro de Segurança Nacional.

No pedido formal ao Senado, Flávio declarou que a viagem não teria custo para a instituição. No entanto, ele não detalhou a agenda nem informou quem arcaria com as despesas.

De volta ao Brasil, Flávio chegou a conceder entrevista ao jornal bareinita Al Bilad e chegou a prometer que, se eleito, vai acabar com a exigência de visto para portadores de passaporte do Bahrein. Também convidou empresas do país a investir em ferrovias brasileiras, dizendo que “temos alterado a legislação” para permitir concessões a estrangeiros por até 50 anos.

Viagem com Mário Frias 

Em maio de 2026, Eduardo viajou ao Bahrein com o deputado federal Mário Frias (PL-SP). A viagem foi divulgada apenas no Instagram de Frias; não há menção pública a ela nas redes de Eduardo.

Naquele momento, Frias já era alvo de apuração no STF sobre a destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à produtora do filme Dark Horse. O Supremo tentou notificá-lo em 31 de março e em 7 e 14 de abril. Em 13 de maio, uma nova tentativa de contato com o gabinete teve como resposta que o parlamentar estava em missão internacional.

O ministro Flávio Dino pediu informações à Câmara, que respondeu que o pedido de viagem ainda estava em apreciação. Na comunicação à Casa, Frias informou ter permanecido no Bahrein de 12 a 18 de maio, a pedido do Conselho de Desenvolvimento Econômico do país (EDB, na sigla em inglês).

As fotos publicadas por Frias mostram apenas reuniões com três integrantes do EDB: Noor Ali Alkhulaif, ministro do Desenvolvimento Sustentável e diretor executivo do conselho; Ishaq Abdulla Ishaq, diretor executivo de Manufatura, Transporte e Logística; e Ali Al Mudaifa, diretor de Desenvolvimento de Negócios. Não há registro público da agenda nos demais dias.

 

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