FAB desmente matéria do Metrópoles e nega sigilo sobre passageiros de Vorcaro

Força Aérea Brasileira nega sigilo sobre passageiros de jato ligado a Vorcaro e diz não ter acesso aos nomes
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Por Cleber Lourenço

A Força Aérea Brasileira (FAB) desmentiu, nesta quinta-feira (15), uma reportagem do Metrópoles que afirmava que a instituição havia imposto sigilo de até 100 anos sobre a lista de passageiros de um jato ligado a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Em esclarecimento publicado nas redes sociais oficiais, a FAB negou ter determinado qualquer restrição desse tipo e afirmou que sequer possui acesso aos nomes das pessoas transportadas em aeronaves privadas.

A manifestação ocorreu após o portal publicar uma reportagem, assinada pelos jornalistas Tácio Lorran e Mateus Salomão, segundo a qual o Comando da Aeronáutica teria utilizado a Lei de Acesso à Informação (LAI) para impedir a divulgação de dados relacionados aos voos de Vorcaro.

O pedido apresentado pelo jornal abrangia os planos de voo de uma aeronave de prefixo PS-FST, um Falcon 7X avaliado em cerca de R$ 200 milhões, entre os dias 10 e 20 de novembro de 2025. Nesse período, em 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar no jato com destino a Malta, na Europa.

Na resposta ao pedido de informações, reproduzida pelo Metrópoles, o Comando da Aeronáutica invocou o artigo 31 da LAI, que estabelece regras de proteção à intimidade e à vida privada.

A justificativa apresentada ao jornal foi a de que a divulgação dos itinerários poderia permitir a identificação indireta de pessoas que utilizaram a aeronave, mediante o cruzamento dos deslocamentos com outras informações públicas.

FAB diz que não tem acesso aos nomes dos passageiros

No esclarecimento publicado nesta quinta-feira, a FAB contestou diretamente a afirmação de que teria colocado listas de passageiros sob sigilo.

“A FAB não impõe quaisquer sigilos em listas de passageiros, uma vez que o controle sobre elas é da exclusiva competência dos operadores das respectivas aeronaves”, afirmou.

A instituição explicou que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), responsável pelo processamento dos planos de voo, trabalha apenas com informações necessárias à operação e ao controle do tráfego aéreo.

Esses registros incluem horários de decolagem, identificação da aeronave, quantidade de pessoas a bordo e outros dados operacionais. Não há, segundo a FAB, qualquer relação nominal de passageiros nesses documentos.

Na prática, isso significa que um plano de voo pode informar quantas pessoas estavam em determinada aeronave, mas não permite identificar quem eram elas. A responsabilidade pelas listas nominais, segundo a Força Aérea, é dos operadores dos aviões.

A instituição também criticou a interpretação apresentada na reportagem.

“Inferir e supor que a Instituição impôs sigilo sobre quaisquer relações de passageiros de que ela sequer tem conhecimento é minimamente equivocado e desarrazoado, devendo ser afastada e repudiada na sua origem”, declarou.

A FAB encerrou o comunicado reafirmando seu compromisso com a transparência e afirmando que não aceita narrativas que comprometam a verdade dos fatos.

Senador pediu informações ao STF após reportagem

A publicação do Metrópoles também provocou uma reação no Congresso. O senador Carlos Viana (PSD-MG) anunciou nesta quinta-feira que solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), informações sobre os voos do jato de Vorcaro.

Viana questionou a alegada restrição de até 100 anos e defendeu que os registros sejam disponibilizados para investigação.

O episódio ocorre em meio às apurações sobre o Banco Master e as relações mantidas por Vorcaro com integrantes do meio político e empresarial. Os deslocamentos realizados em aeronaves ligadas ao ex-banqueiro ganharam relevância justamente pela possibilidade de ajudar a esclarecer encontros e viagens realizados durante o período investigado.

A identificação de passageiros, no entanto, depende de registros que, segundo a própria FAB, não integram os planos de voo processados pelo controle do espaço aéreo.

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