Aliados reconhecem que o paradeiro de Flávio Bolsonaro é desconhecido

Senador também não entregou os passaportes conforme determinação de Alexandre de Moraes
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Por Juliana Dal Piva e Cleber Lourenço

A coluna conversou com três aliados próximos a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e eles admitiram que o paradeiro do senador é desconhecido. Ele também não entregou os passaportes conforme a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Procurada, a assessoria de imprensa informou que não iria comentar. A Polícia Federal apura possível fuga

A última visita que Flávio recebeu na segunda-feira (26) foi do advogado Frederick Wassef. O defensor ficou conhecido por esconder Fabrício Queiroz durante o período em que Flávio foi investigado no caso da rachadinha pelo MP-RJ. Queiroz era o operador do esquema. Nos bastidores, especula-se que Flávio tenha entrado na Argentina ilegalmente por terra por Puerto Iguazu e de lá iria de avião para os EUA.

Flávio Bolsonaro tinha até o meio-dia desta terça-feira (27) para entregar seus passaportes, comum e diplomático, à Polícia Federal, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O prazo terminou sem que o senador cumprisse a ordem judicial, o que reforçou as suspeitas de que ele possa ter deixado o Brasil. A ausência de entrega dos documentos ganha ainda mais relevância diante das informações sobre o avião retido na Argentina e da falta de notícias sobre o paradeiro de Flávio.

Segundo a imprensa argentina,o avião apontado como possível meio de fuga de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos teve sua decolagem impedida na Argentina, na madrugada desta terça-feira (27). Em meio às dúvidas sobre o paradeiro do senador, o deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL-PB) confirmou ao ICL Notícias que conversou com Flávio na noite de segunda-feira (26), mas que, até o momento da conversa com a reportagem, não tinha novas notícias dele.

A informação obtida pelo ICL é que o Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, chegou a Puerto Iguazú na noite de segunda-feira, procedente de Buenos Aires, e tinha previsão de decolar às 2h para os Estados Unidos. A empresa responsável havia solicitado procedimentos migratórios e aduaneiros para quatro passageiros e três tripulantes.

A rádio argentina Cataratas informou que a Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC) não autorizou a decolagem por pendências nos requisitos exigidos para o voo internacional. A negativa teria provocado uma discussão entre o comandante da aeronave e os fiscais do órgão. Outras publicações mencionaram controles adicionais e suspeitas sobre a identidade de um dos passageiros.

Até o momento, não há confirmação oficial de que Flávio Bolsonaro estivesse entre os passageiros. A Direção Nacional de Migrações da Argentina afirmou não possuir registro de entrada do senador no país, enquanto Rogério Marinho, coordenador de sua campanha presidencial, negou que ele tivesse deixado o Brasil.

O episódio ocorreu horas depois de Flávio ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, comum e diplomático, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida foi tomada em uma investigação que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz.

Empresa aparece em investigação de corrupção

A aeronave pertence à Baires Fly, empresa de aviação executiva que aparece em uma investigação sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo a Agência Nacional de Deficiência (ANDIS), órgão do governo de Javier Milei.

A Baires Fly tem como presidente formal o empresário Luis Grande, ligado à companhia desde 1991. Entretanto, a empresa também mantém vínculos comerciais com Sergio Mastropietro, empresário apontado por investigadores argentinos como participante de um suposto esquema de movimentação de recursos ilícitos envolvendo contratos da ANDIS.

De acordo com documentos judiciais divulgados pela imprensa argentina, a Baires Fly teria emitido notas fiscais para empresas farmacêuticas investigadas por pagamentos suspeitos. A apuração identificou transferências milionárias realizadas por fornecedores da agência pública, seguidas da emissão de faturas por serviços de aviação.

Em fevereiro de 2026, a Justiça argentina determinou a revisão de um bloqueio patrimonial de aproximadamente 7 bilhões de pesos argentinos imposto à companhia. O tribunal considerou excessivo o valor inicialmente estabelecido, mas manteve a necessidade de uma medida cautelar.

Mastropietro também foi chamado a prestar depoimento no processo. A investigação apura sua possível participação na movimentação de dinheiro proveniente de contratos suspeitos.

Empresário escapou de apreensão de celular

Um episódio ocorrido em novembro de 2025 também chama atenção para o histórico do empresário ligado à companhia.

Na ocasião, Mastropietro retornou à Argentina em um voo procedente dos Estados Unidos. A Justiça havia determinado uma diligência para localizar e apreender seu telefone celular, considerado de interesse para a investigação sobre a ANDIS.

Apesar da ordem, o empresário passou pelo controle migratório do Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, sem que a medida fosse executada.

Quando as autoridades perceberam a falha, agentes foram atrás de Mastropietro, que já havia deixado a área de desembarque. Localizado posteriormente, ele afirmou que havia esquecido o telefone no aeroporto e que o aparelho desaparecera.

Segundo o Infobae, a investigação identificou que o celular ainda havia emitido sinal nas proximidades da Floralis Genérica, monumento localizado em Buenos Aires. O dispositivo não foi recuperado durante a diligência.

O episódio levantou suspeitas sobre a atuação dos responsáveis pelos controles aeroportuários argentinos. A Justiça passou a examinar as circunstâncias que permitiram ao empresário deixar o aeroporto sem a execução imediata da medida.

Relações políticas e novos questionamentos

O histórico de Mastropietro inclui negócios com Federico “Fred” Machado, empresário investigado nos Estados Unidos e conhecido por suas relações com o ex-deputado argentino José Luis Espert, aliado político de Milei.

Segundo o jornal argentino elDiarioAR, Mastropietro também participou de operações financeiras envolvendo um fundo associado a Machado e atuou como elo entre o empresário e Espert.

A Baires Fly, por sua vez, já transportou políticos de diferentes correntes ideológicas na Argentina, incluindo presidentes e outras autoridades.

Ainda não foram esclarecidos quem contratou o voo que deveria partir de Puerto Iguazú, quem eram os quatro passageiros previstos e qual irregularidade específica impediu a decolagem.

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