Por Idiana Tomazelli e Mariana Brasil
(Folhapress) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve defender o cuidado com as contas públicas em seu primeiro pronunciamento em rede de TV após ser reeleito. O petista também deve fazer um aceno aos eleitores e agradecer os votos que lhe garantiram uma virada inédita no segundo turno.
Sob pressão do mercado financeiro para anunciar medidas de ajuste, o chefe do Executivo não detalhará propostas, mas deve sinalizar que tem preocupação com a situação das contas e citar que, em mandatos anteriores, demonstrou ter compromisso com a responsabilidade fiscal.
O pronunciamento deve ser gravado nesta quinta-feira (5) e transmitido no próximo domingo (8) em cadeia nacional de rádio e TV.
A ideia é falar que, para ter políticas sociais perenes e sustentáveis, é preciso cuidar das contas do país. Esse é um discurso que tem sido usado pela própria equipe econômica para convencer o presidente a adotar medidas para controlar a dívida pública.
O teor da declaração vem sendo discutido nos últimos dias com a participação dos ministros Sidônio Palmeira (Secom), Miriam Belchior (Casa Civil), Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento).
Como mostrou a Folha, a potência das medidas de ajuste fiscal abriu um impasse dentro do governo, uma vez que o chefe do Executivo demonstra resistência em propor ações mais robustas e que poderiam configurar um estelionato eleitoral.
Desde o dia seguinte à reeleição de Lula, Fazenda e Planejamento trabalham em um cardápio de ações, que vão desde ajustes mais pontuais até medidas estruturais. Perseguir o centro da meta fiscal é um consenso na equipe, mas há divergência sobre o alcance de outras iniciativas para obter o aval do presidente.
A mobilização da população, que deu ao petista a virada inédita no segundo turno das eleições, tem pesado nessa equação. Lula sempre demonstrou preocupação com a manutenção de direitos sociais, e o resultado das urnas reforçou essa posição, sobretudo após a campanha do petista ter usado o plano de cortes de seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), para desgastá-lo junto ao eleitorado.
Um integrante da equipe econômica afirmou, na semana passada, sob reserva, que o presidente não cometerá estelionato eleitoral e que as medidas ainda estavam em discussão.
Para tentar vencer as resistências dentro do próprio governo, as propostas da área econômica estão sendo apresentadas como as soluções necessárias para manter a sustentabilidade dos programas sociais ao longo dos anos.