O governo de Benjamin Netanyahu pode estar chegando ao fim. Neste sábado, o presidente de Israel escolheu Gadi Eisenkot, o principal rival do primeiro-ministro, para formar um novo governo.
As eleições de outubro tinham terminado num impasse político, sem que as principais forças políticas do país tivessem chegado a uma maioria suficiente no Parlamento para governar.
Após dias de negociações e diante de um vácuo no poder, coube ao presidente Isaac Herzog tomar uma decisão sobre como tentar superar a crise política. Ele, assim, pediu que Eisenkot — líder do partido Yashar — inicie as negociações para a formação de um governo.
Eisenkot foi indicado por legendas que representam 67 parlamentares, em comparação com 46 para o bloco de Netanyahu, informou um comunicado da presidência.
Ele terá 28 dias para formar uma coalizão que detenha pelo menos 61 das 120 cadeiras do Knesset, o patamar mínimo necessário para um governo.
Horas antes do anúncio, Netanyahu havia alertado que um governo formado por partidos de oposição, com o apoio de legendas lideradas por árabes, levaria ao colapso de Israel.
Caso ele consiga uma aliança com outros partidos, Eisenkot colocará fim ao mais longo mandato de um primeiro-ministro da história de Israel.
Ele conta com o apoio das listas de maioria árabe, que obtiveram um resultado inédito nas eleições. Mas Einsenkot sinalizou que não estaria disposto a ceder para esses movimentos políticos. Sua outra escolha seria acenar aos partidos reacionários.
Na eleição, o movimento liderado por Eisenkot ficou com apenas 48 das 120 cadeiras do Parlamento israelense. Netanyahu obteve 53, mas sua coalizão nacionalista-religiosa perdeu a maioria.
Eisenkot agrada aos árabes ao prometer agir contra colonos extremistas na Cisjordânia que atacam palestinos. Mas esse é um dos únicos elementos positivos do israelense em relação às reivindicações palestinas.
Ainda que seja o maior rival de Netanyahu, Eisenkot foi chefe do Estado-Maior das Forças Armadas entre 2015 e 2019 e se declara contrário a uma solução a dois estados para israelenses e palestinos. Em sua campanha eleitoral, ele ainda prometeu acabar com o Hamas e é conhecido por ter usado de uma força extrema contra o Hezbollah, inclusive em bairros civis.
Sua bandeira foi a de unir a população, depois de um período turbulento do governo de Netanyahu.