Alckmin: Plano Safra 2025/2026 terá mais recursos, mas governo deve ‘equalizar’ impacto da Selic

Declaração do vice-presidente ocorreu na abertura oficial da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), no domingo (27)
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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse no domingo (27) que o governo federal pretende lançar um Plano Safra 2025/2026 com volume maior de recursos que o destinado ao programa passado. Contudo, salientou que o aumento vai demandar a aplicação de mais recursos para equalizar o impacto da taxa Selic, que está em alta.

“Nós vamos trabalhar para ter o aumento do valor do Plano Safra e ele certamente vai exigir uma equalização maior em razão do aumento da taxa Selic”, disse Alckmin durante a cerimônia oficial de abertura da Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola do país que acontece esta semana em Ribeirão Preto (SP).

Alckmin ocupava interinamente a Presidência da República no domingo, devido à viagem do presidente Lula (PT) e da primeira-dama Janja a Roma, na Itália, para participaram do funeral do Papa Francisco.

O Plano Safra 2025/2026 só deve ser anunciado no meio do ano. Para o ciclo 2024/2025, foram destinados R$ 400,5 bilhões para a agricultura empresarial, quase 10% a mais do que no ciclo anterior. Porém, devido ao atraso na aprovação do Orçamento de 2025, que só ocorreu neste ano, houve atraso na destinação dos recursos.

Ele destacou ainda o bom momento vivido pela agricultura brasileira, com uma safra recorde de grãos projetada para este ano e uma projeção de aumento nas vendas de máquinas e implementos agrícolas que pode superar a casa dos 8%, conforme anúncio da Abimaq (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos).

“Devemos ter este ano uma safra recorde. O clima está ajudando até agora. A Abimaq previa um crescimento de 8% na indústria de máquinas, mas tivemos no mês passado 24% de crescimento, então pode até ser revisto esse valor para mais alto ainda”, disse Alckmin.

O governo do presidente Lula aposta em planos safras cada vez mais robustos com o intuito de ajudar na produção de alimentos no país e, consequentemente, combater a inflação que mais pesa no bolso do brasileiro mais pobre.

A Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola do país, abre ao público nesta segunda-feira (28) com expectativa de receber cerca de 200 mil pessoas até sexta-feira (2) e de movimentar R$ 15 bilhões em intenções de negócios para os próximos meses.

Alckmin espera que taxa Selic alta seja “transitória”

Atualmente, a taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 14,25%. Os juros altos servem para desacelerar a economia e ajudar o Banco Central a perseguir a meta de inflação, atualmente em 3% (centro), mas podendo oscilar entre 1,5% (pisto) e 4,5% (teto).

Quanto mais altos os juros, mais caro fica o crédito e investimentos. Por isso, Alckmin espera que a trajetória de alta seja “transitória”. “O que é importante: que seja transitória essa taxa de juros alta, porque, na realidade, o dólar caiu, chegou a R$ 6,20, fechou a sexta-feira em R$ 5,70 praticamente, então caiu fortemente o dólar. Isso tinha empurrado a inflação também”, afirmou.

No evento, Alckmin anunciou um pacote de R$ 80 bilhões pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) para investimentos na área de inovação, com uma taxa de 4% ao ano.

Ainda, o vice-presidente destacou o programa “Combustível do Futuro“, sancionado no ano passado com o objetivo de estimular o uso de fontes sustentáveis de energia, a redução de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre o etanol e a possibilidade de a mistura dele na gasolina chegar a 35%.

Atualmente, o combustível derivado da cana-de-açúcar e do milho representa 27% na composição, que deve subir para 30% após estudos apontarem a viabilidade de aumento.

 

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