Mais de um mês após a morte do brasileiro-palestino Walid Khalid Abdalla Ahmad, de 17 anos, seu corpo continua sob custódia de Israel sem previsão de liberação. Apesar do apelo da família e dos esforços da diplomacia brasileira, o governo israelense ainda não deu explicações oficiais sobre o caso.
Khaled Ahmad, pai do jovem, fez um apelo público em nome da família ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que intervenha diretamente. Em entrevista a Globonews, Ahmad declarou: “Gostaria de fazer um apelo ao presidente do Brasil para que nos ajude a conseguir a liberação do corpo do nosso filho, para que possamos sepultá-lo de acordo com os ritos islâmicos. Acredito que ele possa nos ajudar, pois é um grande presidente de um grande país”.
Walid foi preso em 30 de setembro de 2024 em Silwad, na Cisjordânia, acusado de atirar pedras contra militares israelenses. O jovem, que ainda aguardava julgamento, cursava o ensino médio em uma escola particular e planejava seguir carreira em Ciências Financeiras e Bancárias na Universidade de Birzeit. Seu pai afirma que ele era saudável antes da prisão e que seus sonhos foram destruídos por “tortura, doenças, negligência médica, fome e falta de higiene” na prisão.
Autópsia obtida pela família revelou que Walid morreu de fome
Walid morreu em 22 de março na prisão de Megido. Segundo uma autópsia obtida por advogados da família junto a médicos do presídio, a morte foi causada por fome, desidratação e infecções agravadas por “desnutrição prolongada e privação de cuidados médicos”. O laudo oficial sobre as causas do óbito não foi entregue pelas autoridades israelenses.
Interlocutores do governo brasileiro relatam que, embora não haja justificativa formal, Israel tem histórico de reter corpos de prisioneiros como forma de negociação, prática anterior ao atual conflito na Faixa de Gaza.

A Federação Árabe-Palestina do Brasil denuncia que a prisão de Megido, onde o adolescente estava detido, é conhecida pelo uso de métodos de tortura como choques elétricos, espancamentos e privação de alimento.
O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, cobrou de Israel uma investigação rápida, independente e transparente sobre a morte do jovem. O Itamaraty também expressou solidariedade à família e reforçou que continuará buscando explicações.
Após confirmar a morte de Walid no mês passado, o Ministério das Relações Exteriores cobrou uma investigação transparente por parte do governo de Benjamin Netanyahu: “Em linha com suas obrigações internacionais, o governo israelense deve conduzir investigação célere e independente acerca das causas do falecimento, bem como dar publicidade às suas conclusões.”
Em viagem ao Japão em março, Lula comentou o caso: “Estamos acompanhando com seriedade a situação em Gaza e tivemos a tristeza de ver esta semana a morte de um brasileiro preso em Israel.”