Banco Central: Guerra comercial de Trump dificulta redução da inflação no Brasil; Galípolo não vê ‘desconforto’ com meta

Presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse na terça-feira (29) que, embora exija cautela do Brasil, o impacto das tarifas dos EUA será mais sentido por países desenvolvidos
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A guerra comercial deflagrada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, traz um cenário de incertezas e desafios para a economia brasileira, podendo dificultar a redução da inflação. É o que mostra o Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado na terça-feira (29) pelo BC.

Na publicação semestral, o BC faz avaliação de perspectivas para a estabilidade financeira do Brasil. O documento divulgado ontem se refere ao segundo semestre do ano passado. Portanto, Trump ainda não tinha assumido a presidência dos EUA, mas já indicava a implementação de uma política de aumento de tarifas.

“O ambiente externo permanece desafiador em razão da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos da América (EUA), principalmente pela incerteza acerca da sua política comercial e de seus efeitos”, diz trecho do relatório.

“Esse contexto tem gerado ainda mais dúvidas sobre os ritmos da desaceleração e da desinflação e, consequentemente, sobre o crescimento nos demais países. Os bancos centrais das principais economias permanecem determinados em promover a convergência das taxas de inflação para suas metas em um ambiente marcado por pressões nos mercados de trabalho. Esse cenário segue exigindo cautela por parte de países emergentes”, continua.

Sobre o cenário interno, “embora tenham surgido sinais de incipiente moderação no crescimento, a atividade econômica e o mercado de trabalho seguiram dinâmicos. A despeito do início do atual ciclo de alta da taxa Selic em setembro de 2024, a atividade econômica manteve-se resiliente. Quanto ao mercado de trabalho, dados recentes sugerem alguma moderação, com redução na margem da população ocupada, mas em ambiente de desemprego baixo e melhora da renda”, diz outro trecho.

O relatório do BC, porém, aponta que o cenário de incertezas “segue exigindo cautela por parte de países emergentes”, como o Brasil.

Galípolo não vê desconforto com meta de inflação e indica alta da Selic

Ao falar sobre o relatório, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que não há desconforto com a meta de inflação de 3%, com tolerância até 4,5% (teto).

Apesar da previsão do Boletim Focus apontar inflação de 5,5% em 2025, Galípolo disse que a meta brasileira está alinhada com a de outros emergentes. Ele destacou três pontos: a inflação atual exige cautela, os efeitos do aperto monetário ainda serão sentidos e há incerteza global.

Galípolo comentou ainda que o impacto das tarifas dos EUA será mais sentido por países desenvolvidos. Nos emergentes, como o Brasil, a reação das moedas tem surpreendido e ainda há dúvidas sobre os efeitos duradouros da guerra tarifária.

Segundo Galípolo, o Brasil segue uma dinâmica de inflação desafiadora, o que justifica a “extensão do ciclo” de reajuste da taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, o juro base está em 14,25% ao ano.

Ele afirmou que o Banco Central está “atento” ao que já foi feito de reajustes nos juros e que o efeito do aperto monetário será sentido ao longo do tempo.

O presidente do BC afirmou que o ambiente econômico é de incerteza e, por isso, demanda cautela. Galípolo ainda apontou que o papel do Copom (Comitê de Política Monetária) é estabelecer a taxa Selic em patamar restritivo pelo “tempo que for necessário” para levar a inflação à meta.

 

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