Entre silêncios e vozes: como não fugir quando tudo se complica

A escuta empática não é só um exercício de amor com o outro: é um resgate
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Eu não entrei nessa moda do “deixar ir”. Não quero me desconectar de pessoas e coisas que me dão borboletas no estômago, arrancam gargalhadas sinceras e sorrisos com os olhos. Ficar dá mais trabalho do que partir. Reparar, cuidar e sustentar uma relação são atos de amor — por si e pelo outro.

Há momentos na vida em que o silêncio grita mais alto do que qualquer palavra. Às vezes, é na ausência, na ruptura de um vínculo, que percebemos o quanto éramos sustentados por uma presença que parecia eterna. Mas talvez, nesse vazio, surja o convite para enxergar com mais nitidez o que antes era possibilidade e agora se tornou certeza. Não deixe ir.

Uso de Telas mulher mexendo no celular

Carregamos nossas melhores e piores versões para todas as relações que vivenciamos — e muitas vezes isso machuca. A dor não tem medida: é como um gás, ocupa tanto o espaço de uma caixa de fósforos quanto de uma casa inteira. Não temos a opção de apagar o desconforto. Quando agimos irracionalmente e conseguimos perceber isso logo depois, estamos evoluindo. Reconhecer uma falha e repará-la é sinal de que as dores ensinam.

O mundo nos exige desempenho, mas nós ansiamos por conexão. Por isso, a escuta empática não é só um exercício de amor com o outro: é um resgate. Uma forma de dizer: eu te vejo e me vejo, eu te ouço e me ouço, eu te reconheço e me reconheço, eu te perdoei e me perdoei.

Às vezes, o outro pede pausa — e o silêncio imposto vira espelho. Quando calamos o mundo, ouvimos nossas inquietações. O que silencia a voz externa amplifica o barulho interno: medos, frustrações, questionamentos que evitamos entre o que esperamos de nós e o que realmente somos. E quando finalmente escutamos esse som abafado, nos tornamos perigosamente conscientes. Despertar é irreversível.

Crise no relacionamento

Não é necessariamente sobre quem errou, mas sobre o que deixamos de ver, ouvir, corrigir. É sobre o abismo que cresce quando a conversa some, quando o acolhimento falha, quando a gente se esquiva da responsabilidade de assumir erros — e de perdoá-los.

Desenvolver a capacidade de amar pede vulnerabilidade, presença e prática. E quando começa a dar certo, nossa tendência é correr de medo, ativar antigos mecanismos de defesa e “deixar ir”. A gente morre de medo de ser feliz. Morre de medo quando começa a “dar certo”. E, muitas vezes, a gente se sabota para dizer, bem baixinho, para si mesmo: “estava bom demais pra ser verdade”.

Escutar. Sentir. Acolher. Falar.

Cada vez que calamos uma verdade sobre o que realmente sentimos e queremos, perpetuamos uma mentira. Cada vez que deixamos de agir, autorizamos que o acaso conduza nosso destino. E cada vez que ousamos levantar a voz, ainda que trêmula, nos reconectamos com o sentido de estarmos vivos: amar.

Saber amar é revolucionário!

 

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