A decisão da Petrobras de reduzir em 5,6% o preço da gasolina nas refinarias, anunciada na segunda-feira (2), ampliou a diferença entre o valor cobrado pela estatal e os preços praticados no mercado internacional, segundo informações do blog da jornalista Míriam Leitão, em O Globo.
Segundo cálculos do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), a defasagem saltou de -2,45% para -10,24% após o anúncio, dificultando a competição com importadores privados.
A queda nos preços ocorre em um momento de alta do petróleo no mercado global.
Na segunda-feira, o barril do Brent subiu cerca de 4%, influenciado pela decisão da OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo mais aliados) de postergar o aumento da produção, o que reduz a expectativa de alívio no custo dos combustíveis a curto prazo.
Gasolina em baixa e diesel em alta
Enquanto a gasolina passa a ter uma defasagem significativa, o diesel comercializado no Brasil está 0,88% acima do valor de referência internacional.
Por sua vez, o gás liquefeito de petróleo (GLP, o gás de cozinha) custa 3,51% a mais que no exterior, segundo dados o CBIE.
Inflação de junho
No campo macroeconômico, a medida da Petrobras deve exercer leve alívio sobre a inflação de junho, que inicia o mês pressionada pela mudança para a bandeira vermelha nas tarifas de energia elétrica.
Ao blog, André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), disse que a redução da gasolina tipo C, de R$ 0,12 por litro nas bombas, pode gerar uma queda de até 0,10 ponto percentual na inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), de junho.
No entanto, o impacto positivo da gasolina deve ser anulado — ou ao menos reduzido — pelo efeito da energia elétrica.
A estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andréa Angelo, explicou que a troca da bandeira amarela pela vermelha 1 tem efeito inflacionário estimado em 0,18 ponto percentual, superior ao impacto da gasolina.
“Ambos os itens têm peso importante no orçamento familiar — energia representa cerca de 4% e gasolina, 5%. Ainda assim, o alívio nos combustíveis não compensa o aumento nas contas de luz”, disse Andréa, que revisou sua projeção de inflação para 2025 de 5,3% para 5,2% após o reajuste da Petrobras.