Pesquisa Quaest: Percepção negativa sobre economia recua, mas maioria ainda sente perda no poder de compra

Levantamento mostra melhora na avaliação econômica do governo Lula, especialmente entre faixas de renda média; mas sensação de empobrecimento ainda preocupa brasileiros
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A percepção da população sobre a economia brasileira apresentou sinais de melhora, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (4). A parcela de brasileiros que afirmam que a economia piorou nos últimos 12 meses caiu de 56% em abril para 48% em junho, uma redução de 8 pontos percentuais. Ao mesmo tempo, aumentou o número de brasileiros que veem melhora econômica (de 16% para 18%) e estabilidade (de 26% para 30%).

A pesquisa Quaest, encomendada pela Genial Investimentos, entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 29 de maio e 1º de junho, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Essa mudança na percepção coincide com uma queda na percepção de alta de preços:

  • 79% ainda sentem aumento no preço dos alimentos (eram 88% em abril);
  • 54% apontam alta nos combustíveis (queda de 16 pontos);
  • 60% veem aumento na conta de luz (eram 65%).

Além disso, caiu de 34% para 30% o grupo que acredita que a economia vai piorar nos próximos 12 meses. Apesar disso, o sentimento de perda no poder de compra ainda domina:

  • 79% dizem que compram menos hoje do que há um ano (eram 81%);
  • Apenas 10% afirmam ter mais poder de compra, e 9% dizem que está igual.

Quaest: Aprovação e reprovação do governo Lula

O levantamento da Quaest mostra que a desaprovação do governo Lula (PT) subiu para 57%, enquanto a aprovação recuou a 40%. Pela primeira vez, católicos passaram a desaprovar mais do que aprovar o governo.

Entre brasileiros entrevistados pela pesquisa Quaest com até o ensino fundamental, há empate técnico. Já no Nordeste, a aprovação voltou a superar a reprovação — única região com esse padrão.

Qualidade de vida: melhora discreta, mas consistente

A percepção sobre a qualidade de vida das famílias também deu sinais de melhora:

  • 35% acham que a situação piorou, contra 39% em abril;
  • 33% agora veem melhora (eram 30%);
  • O restante diz que a situação está igual (32%).

A melhora é mais acentuada entre brasileiros com renda acima de 5 salários mínimos:

  • 37% dizem que a vida melhorou (eram 34%);
  • Entre quem ganha de 2 a 5 salários, o grupo que vê melhora subiu de 29% para 33%.
  • Já entre os que recebem até 2 salários mínimos, os indicadores ficaram praticamente estáveis.

Emprego continua sendo desafio

Embora a taxa de desemprego tenha ficado em 6,6% no trimestre de fevereiro a abril — praticamente estável em relação aos 6,5% registrados no trimestre anterior, mas inferior ao índice de 7,6% do mesmo período de 2024, a dificuldade de acesso ao mercado de trabalho continua sendo um ponto de atenção para os brasileiros entrevistados:

  • 55% dizem que está mais difícil conseguir emprego do que há um ano (eram 53%);
  • Apenas 35% acreditam que está mais fácil — mesmo patamar da pesquisa anterior;
  • Outros 4% acham que a situação está igual.

Resumo dos principais destaques da pesquisa Quaest (junho 2025):

  • Percepção de piora na economia caiu de 56% para 48%.
  • Sensação de perda no poder de compra segue alta: 79%.
  • Menos pessoas percebem alta nos alimentos e combustíveis.
  • Qualidade de vida apresenta melhora modesta, mas consistente.
  • Desaprovação do governo sobe para 57%; aprovação é de 40%.
  • Emprego ainda preocupa: 55% acham mais difícil conseguir trabalho.
  • Católicos agora desaprovam mais do que aprovam o governo.
  • Nordeste mantém Lula como majoritariamente aprovado.

 

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.