Em um cenário global marcado pela perda de fôlego das economias desenvolvidas, o Brasil surpreendeu positivamente ao registrar um crescimento de 1,4% no PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre de 2025, figurando entre as economias que mais cresceram no período, segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Os dados foram divulgados em reportagem da Folha de S.Paulo.
O PIB brasileiro, conforme divulgado na manhã desta sexta-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), avançou principalmente graças ao desempenho do setor agropecuário, que cresceu 12,2% no período. Frente ao primeiro trimestre de 2024, houve crescimento de 2,9%, enquanto no acumulado dos últimos quatro trimestres, o PIB registrou elevação de 3,5%
Os dados divulgados pela OCDE mostram que o desempenho brasileiro é um dos mais robustos entre cerca de 30 economias analisadas — incluindo não membros como China e Brasil.
O crescimento médio do bloco da OCDE foi de apenas 0,1% no trimestre, uma desaceleração significativa em relação aos 0,5% observados no fim de 2024. Na comparação anual, o crescimento da OCDE foi de 1,6%, também inferior aos 1,9% registrados nos últimos três meses de 2024.
PIB de ricos retrai
Entre os países que já reportaram seus números, oito apresentaram contração econômica, incluindo Estados Unidos (-0,1%), Japão (-0,2%), Coreia do Sul (-0,2%) e Portugal (-0,5%).
A economia brasileira, além de se destacar pelo crescimento no curto prazo, mantém sua posição como a sétima maior do mundo em paridade de poder de compra, segundo o FMI (Fundo Monetário Internacional).
Em dólares correntes, no entanto, o país caiu da 9ª para a 10ª posição em 2024, ultrapassado pelo Canadá — uma inversão que, segundo o FMI, deve ser revertida até 2027 com a valorização do real.
Fim de um ciclo?
A OCDE aponta que o desempenho modesto da maioria dos países reflete o fim de um ciclo de crescimento mais vigoroso e estável nos últimos dois anos.
Ao todo, 17 nações registraram desaceleração na comparação com o quarto trimestre de 2024, pressionadas principalmente pelo aumento nas importações — fator que reduziu o PIB em vários casos, como nos EUA, onde empresas correram para se antecipar ao tarifaço promovido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A China, que tem adotado medidas de estímulo desde setembro, cresceu 1,2% no trimestre e 5,4% na comparação anual, mantendo-se alinhada à meta oficial de 5% para o ano.
Enquanto isso, a Argentina, ainda sem dados para o primeiro trimestre, vem de um 2024 recessivo (-1,7%), embora tenha ensaiado recuperação no fim do ano com crescimento de 1,4%.
Os 10 mais
1º Irlanda: 3,2%
2º Brasil: 1,4%
3º China: 1,2%
4º Israel: 0,8%
5º Chile: 0,7%
6º Polônia: 0,7%
7º Reino Unido: 0,7%
8º Lituânia: 0,6%
9º Espanha: 0,6%
10º República Tcheca: 0,5%