Socorristas iniciam resgate de brasileira que caiu em trilha de vulcão na Indonésia

Em entrevista ao ICL notícias, irmã de jovem que caiu durante trilha no Monte Rinjani critica demora na ação das autoridades
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Por Amanda Prado

A brasileira Juliana Marins, de 26 anos, foi alcançada por equipes de resgate neste sábado (21) após passar cerca de 16 horas à espera de socorro em uma trilha no Monte Rinjani, na ilha de Lombok, Indonésia. A jovem, que realiza um mochilão pela Ásia, caiu em uma região de difícil acesso durante a caminhada, organizada por uma empresa local de turismo — a Ryan Tour.

Os socorristas conseguiram descer até o ponto onde Juliana estava, a aproximadamente 300 metros da trilha principal, e forneceram comida e água.

Em entrevista ao ICL Notícias, a irmã de Juliana, Mariana Marins, critica a demora no início das operações e relata que a embaixada brasileira informou inicialmente que o resgate levaria entre cinco e sete horas — o que não se concretizou. Ela demonstrou muita preocupação.

“Estamos indo para quase 17 horas desde a queda. A embaixada chegou a dizer que o resgate aconteceria à noite, mas a versão oficial é que só voltarão amanhã. Estamos pressionando, e a mídia está sendo fundamental”, afirmou.

O processo para retirá-la do local é lento e cercado de riscos. “Ela está ferida, com frio, com fome e escorregando. A pedra do vulcão é muito lisa, estava chovendo e com muita neblina. Ela já escorregou bastante, e a nossa maior preocupação é que ela está muito perto de um precipício”, contou Mariana em entrevista.

Socorristas chegam a brasileira que caiu em trilha de vulcão na Indonésia; resgate é iniciado

Segundo Mariana, a irmã está viva e estabilizada, mas a remoção com maca deve ocorrer apenas na manhã de domingo (22), devido às condições adversas do terreno. “Ela está estabilizada e viva, é o que temos de informação. Vão colocá-la na maca assim que possível”, disse Mariana.

Juliana é publicitária, natural de Niterói (RJ), e já havia visitado Filipinas, Vietnã e Tailândia antes de chegar à Indonésia. A família foi informada sobre o acidente por meio de turistas que passavam pela trilha horas depois da queda. Sem sinal de internet, Juliana não conseguiu comunicar o ocorrido.

Outros viajantes utilizaram um drone para localizar a jovem e começaram a divulgar a situação pelas redes sociais até que a informação chegasse a conhecidos da brasileira.

Resgate depende das condições climáticas

Um representante da embaixada brasileira informou que acompanha o caso há mais de 13 horas em contato com a família e autoridades locais. Segundo ele, o local do acidente fica a cerca de quatro horas do centro urbano mais próximo, em uma região remota e de difícil acesso.

Em um dos vídeos enviados à família, é possível ouvir um dos turistas afirmando, em inglês: “Ela parece muito assustada”.

O resgate completo depende das condições climáticas e deve ser retomado nas primeiras horas de domingo (horário local), o que corresponde à noite de sábado no Brasil.

Comunicação precária e trilha difícil

O acidente na trilha só chegou ao conhecimento da família porque um grupo de turistas espanhóis encontrou Juliana utilizando um drone e conseguiu identificar sua identidade por meio das redes sociais. “Foi esse grupo que nos encontrou pelo Instagram, depois de procurar o nome dela. Eles estavam acima dela na trilha e conseguiram gravar um vídeo. No início a gente nem sabia se era ela, mas depois ficou claro”, explicou Mariana.

A brasileira carregava apenas uma pequena pochete e usava um casaco fino no momento da queda. A família ainda não sabe se ela tinha alimentos ou outros suprimentos básicos.

Sobre o suporte da empresa de turismo responsável pela trilha, Mariana foi enfática: “A comunicação com eles é horrível. Respostas evasivas, falta de clareza… tudo muito vago. O guia que estava com ela ficou no local, mas o resto do grupo seguiu viagem na trilha”, denunciou.

Nas redes sociais, Juliana  publicou fotografias recentes da viagem. “Fazer uma viagem longa sozinha significa que o sentir vai sempre ser mais intenso e imprevisível do que a gente tá acostumado. E tá tudo bem. Nunca me senti tão viva”, escreveu no dia 29 de maio.

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