O mercado financeiro reduziu novamente a estimativa de inflação para 2025 e, ao mesmo tempo, elevou a projeção de crescimento da economia brasileira, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (23) no Boletim Focus, do Banco Central. O relatório semanal é resultado de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.
A mediana da previsão dos analistas consultados para o Boletim Focus para a inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2025 caiu de 5,25% para 5,24%, marcando a quarta redução consecutiva, embora o índice siga acima do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Para 2026, a projeção de inflação foi mantida em 4,5%.
Desde janeiro de 2025, está em vigor o novo regime de meta contínua de inflação. Nele, o centro da meta é de 3% ao ano, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Caso a inflação fique fora desse intervalo por seis meses consecutivos, o Banco Central precisa justificar publicamente o descumprimento da meta, como ocorreu no início do ano.
Com a taxa básica de juros (Selic) elevada para 15% ao ano na semana passada — decisão que surpreendeu parte do mercado — o Banco Central já mira a inflação acumulada até meados de 2026. A política monetária atua com defasagem, e seus efeitos plenos são sentidos entre seis e 18 meses após sua adoção.
Boletim Focus: Crescimento do PIB e juros sobem
Na contramão da inflação, as projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) subiram ligeiramente. O mercado agora espera crescimento de 2,21% em 2025 (ante 2,20%) e de 1,85% em 2026 (antes, 1,83%).
A expectativa para a taxa básica de juros em 2025, a Selic, também foi revista para cima, de 14,75% para 15% ao ano. Para os anos seguintes, a estimativa foi mantida em 12,50% (2026) e 10,50% (2027).
A projeção para o dólar em dezembro de 2025 caiu de R$ 5,77 para R$ 5,72. Já para 2026, a expectativa foi mantida em R$ 5,80.
A previsão de superávit na balança comercial permaneceu inalterada: US$ 74 bilhões em 2025 e US$ 78 bilhões em 2026. Também ficou estável a estimativa de entrada de investimento estrangeiro direto: US$ 70 bilhões em cada um dos dois anos.
Resumo das projeções do Boletim Focus
Inflação (IPCA):
- 2025: caiu de 5,25% para 5,24%
- 2026: mantida em 4,50%
PIB (Produto Interno Bruto):
- 2025: subiu de 2,20% para 2,21%
- 2026: subiu de 1,83% para 1,85%
Selic (taxa básica de juros):
- 2025: subiu de 14,75% para 15,00% ao ano
- 2026: mantida em 12,50% ao ano
Dólar:
- Final de 2025: caiu de R$ 5,77 para R$ 5,72
- Final de 2026: mantido em R$ 5,80
Balança comercial (superávit):
- 2025: mantido em US$ 74 bilhões
- 2026: mantido em US$ 78 bilhões
Investimento estrangeiro direto:
- 2025: mantido em US$ 70 bilhões
- 2026: mantido em US$ 70 bilhões