Banco Central recebeu quatro alertas sobre Master na gestão Campos Neto

Comunicações da CVM foram feitas entre 2020 e 2022; BC recebeu outros dois avisos na gestão Galípolo
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Por Cleber Lourenço

O Banco Central recebeu quatro comunicações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre indícios de irregularidades envolvendo o Banco Master, o antigo Banco Máxima ou empresas ligadas ao grupo durante a gestão de Roberto Campos Neto. Os alertas foram feitos entre 2020 e 2022, segundo levantamento do ICL Notícias a partir de documentos da própria CVM.

Ao todo, o BC recebeu seis comunicações relacionadas ao universo Master desde 2020. As outras duas ocorreram na gestão de Gabriel Galípolo, uma em 2025 e outra em janeiro de 2026. Foi durante a atual gestão que o Master acabou liquidado.

Os registros fazem parte do relatório do GT Master, que revisou 314 processos relacionados ao banco, à Reag e a entidades conexas. Os documentos não detalham quais providências o BC adotou diante de cada comunicação.

Procurado pelo ICL Notícias para informar quais medidas tomou a partir dos quatro avisos recebidos entre 2020 e 2022, o Banco Central não havia respondido até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Os quatro avisos na gestão Campos Neto

A primeira comunicação ocorreu em 2020. A Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE) informou o BC, a Susep e o Ministério Público Federal em São Paulo sobre indícios de irregularidades envolvendo a Máxima S.A. CCTVM. O processo terminou posteriormente em termo de compromisso.

Em 2021, o Banco Central recebeu duas novas comunicações.

Uma tratava de indícios de manipulação de mercado envolvendo o CARE11, fundo imobiliário ligado ao setor funerário, e operações do então Banco Máxima. A área técnica da CVM apontou concentração relevante das compras de cotas pelo banco em determinados períodos e uma atuação sistemática próxima ao fechamento dos meses.

A investigação levou à proposta de responsabilização do Banco Máxima e de Angelo Antonio Ribeiro da Silva por suposta manipulação de preços. O caso terminou em termo de compromisso, sem julgamento do mérito ou reconhecimento de culpa.

O CARE11 voltou ao centro do caso Master nesta quinta-feira (24), quando o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal investigasse possíveis repercussões criminais das operações.

A segunda comunicação de 2021 partiu da SRE. O relatório do GT Master não detalha qual irregularidade motivou o envio ao BC.

A quarta ocorreu em 2022, quando a SRE voltou a comunicar o Banco Central e a Susep sobre um processo que, segundo a CVM, já havia sido anteriormente informado aos reguladores.

Denúncia de 2022 previa prejuízo ao FGC

Naquele mesmo ano, a CVM recebeu outro sinal sobre os problemas do Master. Em 18 de fevereiro, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) encaminhou à autarquia uma denúncia anônima que havia sido recebida pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo.

O relato dizia que, de quase R$ 5 bilhões captados pelo banco com cobertura do FGC, mais de R$ 3 bilhões estariam aplicados em ativos ilíquidos. Também apontava suspeitas de manipulação da cotação de fundos, reavaliação de ativos e outras operações contábeis.

As acusações não estavam comprovadas. Ao reexaminar o caso em 2026, porém, o GT Master concluiu que elementos narrados na denúncia apresentavam correspondência ou compatibilidade com fatos conhecidos posteriormente e registrou que “não houve qualquer ação apuratória” após o recebimento do relato.

O denunciante chegou a prever que, se os problemas levassem à quebra da instituição, o FGC teria de arcar com os pagamentos e o Banco Central seria cobrado por não ter agido.

Dino determinou nesta quinta que a PF investigue as circunstâncias do arquivamento dessa denúncia pela CVM.

Não há evidência nos documentos de que esse relato tenha sido enviado ao Banco Central ou esteja relacionado à comunicação feita pela CVM ao BC em 2022.

Mais dois avisos na gestão Galípolo

Depois de dois anos sem novas comunicações registradas, o BC voltou a receber informações da CVM sobre o universo Master em 2025, já sob Gabriel Galípolo.

A autarquia comunicou o BC e o Ministério Público Federal sobre indícios de irregularidades envolvendo notas comerciais compradas por fundos de investimento em direitos creditórios ligados ao Master.

A sexta comunicação ocorreu em janeiro de 2026. O Banco Central foi informado sobre deficiências consideradas relevantes em controles internos de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo identificadas em fiscalização.

Os documentos mostram ainda que a troca de informações ocorria nos dois sentidos. Dos 314 processos revisados pelo GT Master, 24 tiveram origem em comunicações do próprio Banco Central à CVM.

Ao revisar sua atuação, a CVM concluiu que informações relevantes sobre um mesmo grupo ficavam dispersas entre diferentes áreas da autarquia, dificultando a identificação conjunta de reincidências e padrões de comportamento. Dos 314 processos examinados, 230 apresentavam falhas relacionadas à divulgação ou prestação de informações e 100 tinham deficiências de conformidade e controles internos.

O GT encontrou ainda 65 ofícios de alerta e 14 termos de acusação. A própria CVM apontou a necessidade de critérios mais claros para definir a resposta a irregularidades e de levar em conta a repetição de condutas de um mesmo regulado.

Leia a íntegra da denúncia de 2022

A denúncia abaixo foi apresentada de forma anônima, recebida originalmente pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo e encaminhada pelo FGC à CVM em 18 de fevereiro de 2022. O texto foi reproduzido pela própria CVM no relatório do GT Master. As acusações abaixo são de autoria do denunciante e não representam conclusões da CVM.

Banco master

Essa conta vai ser paga pelo FGC.

Hoje todo mundo conhece o tal do banco master, sede Faria Lima, jatinho, helicópteros e todos os dias páginas inteiras nos jornais e internet com atriz famosa e frase bonita que diz muito e não fala nada.

Nesse momento o banco prepara mais um balanço fajuto que será discretamente engolido pelo Bacen.

De quase 5 bi de captação garantida pelo FGC, mais de 3 bi estão em ativos ilíquidos (fundos imobiliários, fundos de precatórios, títulos sem rating), e o Bacen não vê nada. Todo final de semestre o prejuízo operacional é grosseiramente manipulado pelos Diretores Luiz Bull e Angelo Silva com os métodos mais rasteiros. Manipulação da cotação de fundos abertos (já são investigados na CVM por isso), reavaliação de ativos podres em fundos fechados, estornos de provisões e também a tradicional recompra de créditos podres por fundos de terceiros através de outros fundos em quem investiu foi o próprio banco. Aí os três bi vira três e duzentos, compensa o prejuízo da operação e ainda aparece um lucro (pra quem quer fingir que acredita). Um que acredita é o reporter do Valor onde o banco anuncia todo dia né?

Os dois banditinhos ganham bônus em dobro todo mês com mais um grupo de comparsas da contabilidade e controladoria do banco e os demais companheiros só recebem um minguado PLR.

A mera avaliação justa desses ativos podres colocaria o PL do banco no campo negativo. A fiscalização do Bacen faz vista grossa, porque o lobista do banco no BC parece que é o presidente da Febraban mais uns escritórios de advogados que não saem de dentro do banco.

O Ditador nojento Augusto Lima, dono e presidente de fato (que nem aparece como diretor eleito) dita regra e governa com um regime de terror nos funcionários junto com seu capataz Luiz Bull, com medo que o esquema venha a publico. Mas é tão fácil de ver que qualquer estagiário de analista de balanço vê. O lucro do banco vai para a própria empresa do pastinha Augusto Lima que fica com tudo. Outro sócio oculto é o conhecido investidor abutre Nelson Tanure (que indiretamente também se financia no Banco e está comprando o Brasil todo) Os outros sócios são apenas laranjas dos dois. O mineiro que é presidente é só um vaidoso que não manda muita coisa, mas gosta de gastar feito gente grande.

A principal operação do Augusto é um consignado que esfola os companheiros funcionários públicos da Bahia com as mais altas taxas de juros por concessão de um esquema bem conhecido no estado.

Dezembro de 2021: no março seguinte mais um balanço fajuto. A captação cresce para pagar os resgates o Banco virou um “esquema pirâmide” há muito tempo. Os ativos podres não param de crescer.

Quando os companheiros bancários do Banco perderem o emprego e os investidores perderem o CDB, o FGC vai ter que pagar a conta e o Bacen vai ter que explicar porque não fez nada. Melhor chamar um bancão para assumir essa bagunça antes que exploda.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail