Após ter sido acusada de maus-tratos e desvio de recursos, por meio de uma carta anônima, a irmã Aline Ghammachi, uma freira brasileira, contesta o seu afastamento na Justiça italiana alegando difamação e calúnia.
Irmã Aline e outras freiras questionam a legitimidade da decisão no Tribunal Eclesiástico, na segunda instância, na Justiça vaticana.
Desde 2018, a irmã Aline era abadessa — a irmã superiora de uma abadia ou um mosteiro — responsável por quatro monastérios em diferentes regiões da Itália. Apesar de sua posição, Aline relata que seu caminho teve dificuldades.
“Desde sempre, a questão de ser jovem, de ser bonita, tudo isso já pesava. E só foi somando. ‘A tua beleza não ajuda, não é boa… ’. Era um contexto mais para ridicularizar”, afirmou a religiosa.
Esraíta Delaias, a advogada de irmã Aline, pede provas das acusações impostas sobre sua cliente. “Tem que ter uma decisão que comprove esses fundamentos com base em fatos, documentos e testemunhas, e isso não tem”, diz.

Carta anônima sobre a freira
Em 2023, a carta a acusando de manipular e maltratar outras religiosas foi enviada diretamente ao Papa Francisco.
A denúncia, sem assinatura, desencadeou uma série de investigações e visitas ao mosteiro de Vittorio Veneto, onde ela vivia com outras 18 monjas em clausura.
Aline também e acusada de irregularidades com às finanças do monastério do Vêneto, contudo, a investigação do abade geral não encontrou nenhuma irregularidade.
A irmã acredita que a responsável pelas noviças no monastério foi quem escreveu, com mais três freiras, a carta ao papa. Aline alega ter vídeos e prints que comprovam que a mesma freira acessava sites de pornografia no computador coletivo e no celular da comunidade.