Com Lula a caminho, Haddad faz ofensiva diplomática no Mercosul em meio a acordos

Ministro da Fazenda se reúne com autoridades argentinas em Buenos Aires às vésperas da cúpula; bloco discute flexibilização tarifária e acordos com Europa
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, iniciou nesta quarta-feira (2) sua agenda em Buenos Aires com o objetivo de amenizar o clima diplomático entre Brasil e Argentina às vésperas da Cúpula do Mercosul. A reunião com ministros da economia e presidentes dos bancos centrais dos países-membros do bloco foi o primeiro compromisso oficial. Em seguida, Haddad participa de um encontro bilateral com o ministro da Economia argentino, Luis Caputo — solicitado pelo próprio governo de Javier Milei.

A missão de Haddad é delicada: suavizar o terreno político para a participação do presidente Lula no encontro de chefes de Estado, marcado para esta quinta-feira (3), quando o Brasil assumirá a presidência rotativa do Mercosul até dezembro. A relação entre Lula e Milei é tensa desde a eleição do presidente argentino, que já chegou a comparar o bloco a uma “prisão comercial”.

No final desta quarta-feira, o presidente Lula (PT) chega a Buenos Aires para participar, amanhã, da reunião de Cúpula do Mercosul propriamente dita.

Entre os principais temas da cúpula, está a ampliação da lista de exceções à Tarifa Externa Comum (TEC). Os países devem aprovar a inclusão de mais 50 produtos à lista, totalizando 150 códigos tarifários que poderão ter impostos flexibilizados em importações de fora do bloco. A medida atende a uma demanda do governo Milei e foi vista como gesto político do Brasil.

“Essa aprovação representa uma concessão do governo brasileiro a um pedido da Argentina, e ela é derivada da situação global do comércio internacional”, afirmou a embaixadora Gisela Padovan, secretária para América Latina e Caribe do Itamaraty.

Mercosul deve anunciar acordo com bloco europeu Efta

O Mercosul teria concluído negociações de um acordo de livre comércio com o bloco europeu Efta (Associação Europeia de Livre Comércio), formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, segundo informações da agência Reuters. O fim das negociações deve ser anunciado nesta quarta-feira, em Buenos Aires, pelo governo argentino, que ocupa neste momento a presidência pro-tempore do bloco.

O acordo vinha sendo negociado desde 2017 e chegou a ser anunciado em 2019. No entanto, da mesma forma que com as negociações entre Mercosul e União Europeia, os quatro países reverteram suas posições e pediram mais garantias ambientais, em meio ao crescimento exponencial do desmatamento no Brasil durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

O pacto com o Efta abriria acesso a um mercado de 14,9 milhões de consumidores com PIB (Produto Interno Bruto) somado de US$ 1,4 trilhão. Em outra frente, o bloco também discute a retomada dos acordos com a União Europeia.

Acordo UE-Mercosul permanece travado

A Comissão Europeia prometeu apresentar “em breve” o texto final do acordo com o Mercosul, embora o prazo de junho não tenha sido cumprido. Ambos os acordos têm esbarrado em cláusulas ambientais e resistência política em alguns países europeus.

A participação de Lula e a nova liderança brasileira no bloco prometem reacender debates sobre o papel do Mercosul em um cenário geopolítico mais fragmentado — entre pressões por abertura econômica e os desafios de manter a coesão regional.

Os países-membros do Mercosul são: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A Venezuela teve sua participação suspensa em 2016, mas é considerada um país em processo de adesão. A Bolívia é o mais recente membro a ingressar no bloco, em 2024. Os países associados ao bloco são: Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname.

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