Prédio da OAB-RJ é fechado por ameaça de atentado ‘extremista’

A ameaça está relacionada a extremistas, que não foram especificados pelas autoridades de segurança
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Uma suposta ameaça de atentado levou a presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Ana Tereza Basilio, a fechar o prédio sede da Seccional Rio de Janeiro, no Centro.

Pela ameaça, o ataque aconteceria nesta quinta-feira (3). Os alertas foram emitidos por autoridades de segurança do estado. Todas as atividades previstas foram canceladas.

A informação foi divulgada pelo O Globo e republicada pela presidente da entidade nas redes sociais na noite desta quarta-feira (2).

A ameaça está relacionada a extremistas, que não foram especificados.

O fechamento de caráter temporário, mandando pela presidente, prevê a retomada das atividades a partir das 12h desta quinta-feira (3).

OAB
Estragos causados pelo atentado a bomba em 1980

Há 45 anos, carta-bomba explodiu na OAB

No dia 27 de agosto de 1980, uma carta-bomba explodiu ao ser aberta na sede da OAB-RJ. A explosão matou a secretária da presidência da entidade, Lyda Monteiro da Silva. No mesmo dia, também no Rio, explodiu outra carta-bomba no gabinete do vereador do PMDB Antônio Carlos de Carvalho, ferindo gravemente José Ribamar de Freitas, funcionário do escritório. Mais quatro pessoas sofreram ferimentos leves. Uma terceira bomba foi detonada na redação da “Tribuna da Luta Operária”, jornal do PCdoB.

Lyda Monteiro foi a primeira vítima da série de atentados terroristas contra entidades democráticas, jornais, livrarias e bancas de jornais iniciada em 1979. Dez mil pessoas acompanharam o enterro da secretária da OAB. O general presidente João Baptista Figueiredo decretou luto oficial e disse que iria “levar o país à democracia (…), a despeito de quatro, vinte ou mil bombas que atirem sobre nossa cabeça”.

Sete semanas depois da explosão, a Polícia Federal prendeu Ronald James Watters como suspeito de ter deixado a carta-bomba na sede da OAB. Waters, então com 51 anos de idade, era um cidadão dos Estados Unidos conhecido na comunidade de informações por suas ligações com grupos de extrema direita no Brasil. Ele sempre negou sua participação no atentado.

Foi julgado e absolvido três anos depois por falta de provas. Tudo indica que o norte-americano foi tomado como bode expiatório apenas para dar uma satisfação à opinião pública. Na prática, nada foi feito para identificar e punir os verdadeiros autores do atentado na OAB e de outras ações criminosas contra entidades democráticas.

Ameaça de bomba há dois anos

O prédio da OAB, no centro do Rio de Janeiro, foi interditado em fevereiro de 2023, por uma ameaça de bomba no local. Na época, Agentes do Esquadrão Antibombas da Polícia Civil do Rio fizeram inspeção no imóvel.

A varredura foi realizada após funcionários terceirizados da equipe de limpeza do prédio terem encontrado bilhetes com ameaça de explosão de bombas e pedido de esvaziamento do local. No momento acontecia uma cerimônia de entrega de carteiras profissionais para futuros advogados.

“O Esquadrão Antibombas acabou a varredura e não foi encontrado nenhum artefato. Agora eles vão conduzir a investigação para descobrir o responsável. Todas as câmeras estão em posse da Polícia Civil”, disse a então presidente da instituição, Luciano Bandeira, no dia do ocorrido.

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