O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a gerar tensão diplomática ao afirmar, nesta quarta-feira (9), que o Brasil “não tem sido bom” para os interesses norte-americanos. Segundo o republicano, novas tarifas sobre produtos brasileiros devem ser anunciadas ainda esta semana, entre os dias 9 e 10 de julho.
A declaração foi dada durante um almoço na Casa Branca com líderes africanos. Trump não detalhou quais setores seriam afetados pelas possíveis tarifas, mas o tom da fala reforça o endurecimento da postura comercial dos EUA frente a países que, segundo ele, mantêm relações comerciais “desequilibradas”.
As declarações de Trump ocorrem em um momento delicado para as relações entre Brasil e Estados Unidos. Além das possíveis tarifas que podem afetar exportações brasileiras, o apoio aberto ao ex-presidente Jair Bolsonaro adiciona um ingrediente político à equação.
Ainda na noite de terça-feira (8), Trump voltou a se manifestar nas redes sociais em defesa de Bolsonaro. Em publicação na plataforma Truth Social, classificou as investigações contra o ex-presidente como uma “caça às bruxas” e pediu que ele fosse deixado em paz. Foi o segundo posicionamento público em dois dias com o mesmo tom.
Trump manda cartas a líderes mundiais comunicando nova rodada de tarifas
Trump iniciou nesta quarta uma nova rodada de notificações formais a diversos países, anunciando tarifas de importação que entram em vigor no dia 1º de agosto de 2025. A medida é parte da estratégia do republicano para pressionar parceiros comerciais a firmarem acordos mais favoráveis aos interesses norte-americanos.
Nesta segunda fase de notificações, ao menos seis países foram oficialmente comunicados: Argélia, Brunei, Filipinas, Iraque, Líbia e Moldávia. Na segunda-feira anterior, outras 14 nações também receberam cartas semelhantes, e, segundo a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, novas comunicações estão previstas para os próximos dias.
As novas taxas de importação variam entre 20% e 40%, conforme o país de origem. Confira abaixo as tarifas já divulgadas:
- África do Sul: 30%
- Argélia: 30%
- Bangladesh: 35%
- Bósnia e Herzegovina: 30%
- Brunei: 25%
- Cambodja: 36%
- Cazaquistão: 25%
- Coreia do Sul: 25%
- Filipinas: 20%
- Indonésia: 32%
- Iraque: 30%
- Japão: 25%
- Laos: 40%
- Líbia: 30%
- Malásia: 25%
- Myanmar: 40%
- Moldávia: 25%
- Sérvia: 35%
- Tailândia: 36%
- Tunísia: 25%
A medida reacende os temores de uma nova onda de tensões comerciais globais, lembrando os embates da guerra comercial promovida por Trump em seu mandato anterior.
Cartas fazem parte da estratégia de de Trump por pressão em acordos
As cartas enviadas por Trump têm como objetivo aumentar a pressão sobre líderes estrangeiros para renegociar os termos comerciais com os EUA. Segundo o presidente, os documentos representam uma demonstração de força e compromisso dos Estados Unidos em reequilibrar relações comerciais marcadas por déficits bilaterais.
Os textos, divulgados também em sua conta na plataforma Truth Social, seguem um modelo padronizado. Um exemplo é a correspondência enviada ao primeiro-ministro japonês, Ishiba Shigeru, na qual Trump afirma que a taxa de 25% está abaixo do necessário para compensar o déficit com o Japão — mas que poderá ser zerada se empresas japonesas passarem a produzir dentro do território norte-americano.
Trump ainda ressalta que qualquer tentativa de retaliação com tarifas por parte dos países afetados resultará na soma desses percentuais ao imposto estabelecido pelos EUA. “Se, por qualquer motivo, vocês decidirem aumentar suas tarifas, qualquer valor que escolherem será adicionado aos 25% que cobramos”, acrescenta Trump no texto.
Prazo fixado e sem prorrogação
Na mesma semana, Trump assinou um decreto que oficializa o início da cobrança para 1º de agosto de 2025, adiando o prazo anteriormente previsto. Segundo ele, não haverá nova mudança: “Todo o valor será devido e pago a partir de 1º de agosto — sem exceções.”
Até o momento, os Estados Unidos chegaram a entendimentos preliminares com apenas três países desde o anúncio da nova política tarifária. O envio das cartas reforça a abordagem direta e agressiva adotada por Trump para avançar com sua agenda econômica e reduzir déficits comerciais históricos com diversas nações.
Com essa nova ofensiva, o cenário do comércio internacional pode voltar a se tensionar, especialmente entre países que dependem do mercado norte-americano para escoar parte significativa de suas exportações.