Os índices futuros dos EUA começaram a quinta-feira (10) sob pressão após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil. A medida foi justificada como resposta a uma “relação comercial muito injusta” e, segundo Trump, também representa uma retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar anular as eleições de 2022.
A decisão surpreendeu analistas e adiciona uma nova camada de instabilidade à já delicada relação entre os dois países. Em reação, o presidente Lula afirmou que o Brasil adotará medidas com base na lei de reciprocidade econômica, sinalizando uma possível escalada comercial.
A notícia impactou o humor dos investidores, com expectativa de volatilidade nos mercados de ações e câmbio. Empresas exportadoras brasileiras, especialmente dos setores agrícola e industrial, devem sentir os primeiros efeitos da medida.
Além da tensão externa, o mercado acompanha nesta manhã a divulgação da inflação oficial, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de junho, importante indicador da inflação brasileira. Nos Estados Unidos, saem os dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego e exportações de grãos, além de discursos de dirigentes do Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense) que podem influenciar as expectativas para os juros americanos.
Em Brasília, o presidente Lula mantém encontros com auxiliares diretos nesta manhã, em meio à repercussão da medida norte-americana e possíveis articulações para a resposta brasileira.
Brasil
A tensão entre Brasil e Estados Unidos voltou a impactar fortemente os mercados na quarta-feira (9). O Ibovespa encerrou o dia com queda de 1,31%, aos 137.481 pontos, acumulando perdas de aproximadamente 3.500 pontos nas últimas três sessões. O principal catalisador dessa nova rodada de instabilidade foi a sinalização, por parte de Donald Trump, de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto.
Com a escalada da crise comercial, o dólar comercial subiu 1,10%, chegando a R$ 5,50, em meio a maior aversão ao risco e fuga de capital. Já o bitcoin registrou forte valorização, subindo 4,82%, alcançando os R$ 620.482, acompanhando o movimento global de busca por ativos alternativos.
Europa
Os mercados europeus sobem nesta quinta-feira, impulsionados por ações de mineradoras, apesar das novas tarifas anunciadas pelo presidente Donald Trump. O setor de mineração lidera os ganhos no Stoxx 600, com destaque para Anglo American, Rio Tinto e Glencore. A valorização do cobre após tarifa de 50% nos EUA favorece empresas com exposição ao metal.
STOXX 600: +0,51%
DAX (Alemanha): +0,22%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,98%
CAC 40 (França): +0,55%
FTSE MIB (Itália): -0,33%
Estados Unidos
Os índices futuros recuam nesta quinta-feira, depois de Wall Street ter fechado em alta na quarta-feira, com o Nasdaq atingindo recorde impulsionado pelo setor de Inteligência Artificial. Ações da Nvidia subiram quase 2% e brevemente elevaram seu valor de mercado a US$ 4 trilhões.
Dow Jones Futuro: -0,21%
S&P 500 Futuro: -0,15%
Nasdaq Futuro: -0,12%
Ásia
Os mercados asiáticos fecharam sem direção única nesta quinta-feira, após o Banco da Coreia manter os juros estáveis. Investidores também repercutiram a tarifa de 50% anunciada por Donald Trump sobre importações do Brasil, válida a partir de 1º de agosto. A mesma taxa será aplicada ao cobre na mesma data, conforme reforçado pelo presidente.Shanghai SE (China), +0,48%
Nikkei (Japão): -0,44%
Hang Seng Index (Hong Kong): +0,60%
Kospi (Coreia do Sul): +1,58%
ASX 200 (Austrália): +0,59%
Petróleo
Os preços do petróleo operam em baixa, uma vez que que os últimos anúncios de tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, foram percebidos pelos participantes do mercado como uma ameaça ao crescimento econômico global e à demanda pelo recurso.
Petróleo WTI, -0,26%, a US$ 68,20 o barril
Petróleo Brent, -0,14%, a US$ 70,09 o barril
Agenda
Nos EUA, saem os dados do auxílio-desemprego e exportação de grãos, ambos semanais, além de discursos de membros do Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense).
Por aqui, no Brasil, o anúncio de tarifas de até 50% pelo governo Trump preocupa setores da Bolsa como siderurgia, automotivo, aeronáutico, químico e derivados de petróleo. Empresas com fábricas no exterior podem amenizar impactos, mas a indústria local sofre forte pressão. A medida pode elevar inflação e juros no Brasil, além de gerar volatilidade no mercado financeiro. Commodities podem ficar parcialmente isentas, reduzindo o impacto nesse segmento.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg