O jornalista Chico Pinheiro, conhecido por seu posicionamento crítico, classificou como “submissão vergonhosa” a resposta de setores da direita brasileira à decisão de Donald Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Durante participação no ICL Notícias 1ª edição desta quinta-feira (10), ele afirmou que o presidente dos EUA quer “transformar o Brasil em um canil” — e que os “porteiros desse canil” seriam bolsonaristas e figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
“Trump quer meter a mão, fazer esse país sangrar, arrasar, deixar terra arrasada e transformar o Brasil num canil que sustente os EUA em decadência. E quem vai cuidar desse canil? Os bolsonaristas”, afirmou Chico. “E o estado mais sangrado será São Paulo, sob o comando de um chefe de matilha que usa boné do MAGA [Make America Great Again] e bate continência para bandeiras dos EUA e de Netanyahu [primeiro-ministro de Israel]”, frisou.

Segundo o jornalista, o gesto recente de Tarcísio — que compartilhou falas de apoio a Trump mesmo após as ameaças comerciais — mostra que parte da elite política brasileira está disposta a “servir ao império mesmo à custa da própria economia”.
Alvo econômico: estado governado por Tarcísio
O impacto da tarifa já preocupa cidades do Vale do Paraíba e da região bragantina, que concentram parte significativa das exportações brasileiras aos Estados Unidos. Entre elas estão São José dos Campos, sede da Embraer, e cidades portuárias como São Sebastião e Ilhabela — principais exportadoras de petróleo, produto que lidera a pauta de exportações brasileiras para os EUA.

Dados do Comex Stat mostram que, em 2024, os EUA compraram mais de US$ 42 bilhões em produtos brasileiros, com destaque para petróleo, aço e aeronaves. Só São José dos Campos foi responsável por cerca de US$ 1,4 bilhão em carne bovina enviada aos EUA, com embarques em 2025 já superando os do mesmo período de 2024.
Especialistas afirmam que, se implementada, a tarifa elevará o custo desses produtos para os consumidores americanos, o que pode comprometer a efetividade da medida. “É um tiro no pé”, disse ao g1 a economista Carla Beni, da FGV (Fundação Getulio Vargas). Para ela, o Brasil pode redirecionar parte dessas exportações para outros parceiros — incluindo países do Brics e do Mercosul.
Reação do governo
A resposta do governo brasileiro foi cautelosa, mas crítica. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin (PSB), classificou as tarifas como “injustas” e lembrou que os Estados Unidos têm superávit comercial com o Brasil. “Não há qualquer justificativa econômica. Isso prejudica também a cadeia produtiva americana”, afirmou.
Apesar da tensão, Alckmin descartou retaliações imediatas e afirmou que o Brasil manterá uma “postura diplomática”.
A Embraer, uma das empresas mais afetadas pela decisão, preferiu não comentar. Já o presidente Lula convocou uma reunião de emergência com ministros no Palácio do Planalto para discutir a estratégia de reação.